Cerca de 25 famílias de sem-terra que invadiram na última terça-feira a Fazenda Borborema, em Tamarana (a 70 quilômetros de Londrina), desocuparam a área anteontem. Segundo o coordenador regional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Josmar Choptian, a decisão atendeu pedido da superintendente do Incra no Paraná, Maria de Oliveira. Ela teria garantido aos líderes do MST que iria pressionar o Poder Judiciário para que dê, com urgência, um parecer sobre a produtividade da área.
A Fazenda Borborema foi considerada improdutiva no começo do ano em avaliações feitas pelo Incra, Iapar e Embrapa e por isso estava passível de desapropriação. Mas os proprietários contestaram os laudos e agora a decisão só depende da Justiça.
‘‘Não temos uma previsão de quando vai sair essa decisão, mas esperamos que seja em curtíssimo prazo’’, diz o coordenador do MST. Ele acrescenta que as famílias entenderam a situação e pouco tempo depois já estavam levantando o acampamento. Os sem-terra voltaram para um sítio em frente à fazenda, onde já estavam antes da ocupação. Apesar da saída, Choptian considera que a invasão - a terceira na mesma fazenda em menos de dois anos - foi ‘‘produtiva’’, já que mostrou a situação precária dos acampados enquanto não sai a decisão judicial.
Maria de Oliveira esteve em Londrina na quarta-feira, um dia depois da invasão. Segundo o coordenador do MST, além da Fazenda Borborema eles trataram também da questão da Fazenda Ingá, em Alvorada do Sul (Norte do Estado), que há mais de sete anos está invadida. Segundo Choptian, Maria de Oliveira disse que os proprietários finalmente resolveram vender a área para que as famílias sejam assentadas.
A Fazenda Ingá já foi desocupada duas vezes, mas sempre os sem-terra voltaram. Em 1995, decreto do presidente Fernando Henrique Cardoso acabou desapropriando a área, mas os proprietários recorreram da decisão.
Segundo Choptian, o impasse só poderia ser resolvido se os donos concordassem em vender a área, o que acabou acontecendo esta semana.

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