Sem-terra desocupam fazenda
Cumprindo acordo firmado na quarta-feira com o comando do 15º Batalhão da Polícia Militar, cerca de 40 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) desocuparam ontem a Fazenda São Carlos, no distrito de Aricanduva, em Arapongas (37 km a oeste de Londrina). Na quarta-feira, quando invadiram a fazenda, os sem-terra se comprometeram a sair pacificamente da área, caso a Justiça concedesse o mandado de reintegração de posse.
Às 7 horas, o grupo foi notificado da decisão do juiz Délcio Miranda da Rocha, de Arapongas, concedendo reintegração de posse do imóvel ao Banco do Brasil que, desde dezembro de 97 tomou a propriedade para cobrir dívidas. Um oficial de justiça entregou cópia da decisão judicial ao líder do acampamento que, em entendimento com os demais sem-terra, resolveu desocupar a área. Para transportar os sem-terra ao local de origem, a Prefeitura de Arapongas cedeu o ônibus e os próprios acampados carregaram seus pertences.
O grupo saiu da fazenda, às 9 horas, com destino à Cooperativa dos Assentados em Querência do Norte (113 km de Paranavaí)
Ainda na desocupação, o líder do grupo, que identificou-se como João da Silva, chegou a admitir que a fazenda é realmente produtiva, mas também argumentou que o Banco do Brasil e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) mantêm um protocolo de intenções, pelo qual as terras recebidas em dívidas seriam, preferencialmente, destinadas à reforma agrária.
Acordo Com o cumprimento do acordo firmado na véspera, o comandante do 15º BPM, major Rubens Guimarães, fez questão de agradecer pessoalmente os sem-terra. Eles honraram sua palavra, evitando o uso da força para cumprir o mandado e garantir a desocupação, comentou. Segundo Guimarães, a decisão da Justiça foi dada às 18 horas do mesmo dia da invasão e, como neste caso as situação era tranquila e com um número reduzido de acampados, a ordem foi prontamente cumprida.
Ele explicou que em outras situações, em que é necessário o emprego de tropa para promover o despejo à força, a intervenção da Polícia Militar não tem sido autorizada. Felizmente, com um eficiente bloqueio de estradas e rodovias, conseguimos evitar que mais famílias de sem-terra invadissem a fazenda, comentou.Odair StraliottiAção pacíficaLogo após um oficial de justiça entregar cópia da decisão judicial ao líder do acampamento, os invasores deixaram a área pacificamenteMaurício Borges





