Cerca de 250 sem-terra que estão acampados nas proximidades da BR-373, em Candói (76 km a oeste de Guarapuava) começaram a desmatar no final de semana parte da Fazenda Caracu. Os sem-terra não ocuparam a fazenda, mas invadiram para preparar a terra com objetivo de iniciar o plantio de milho. A fazenda tem 989 hectares e pertence à Cooperativa Central Coopersul, da qual a Cooperativa Agrária Mista Entre Rios detém 93% de participação.
O escritório do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) em Guarapuava emitiu relatório em setembro afirmando que o desmate na área é ilegal. De acordo com o levantamento, as partes da propriedade averbadas como reserva e área de manejo, que perfazem um total de 488 hectares, não podem sofrer desmatamento. No laudo do IAP também consta que as outras áreas de floresta existentes na fazenda não são passíveis de ‘‘corte raso’’, por se tratar de floresta primária. Nem mesmo os 72 hectares de capoeiras podem ser derrubados.
O gerente de controladoria da Coopersul Lourival Loppnow informou que a fazenda é produtiva. ‘‘Por causa da reserva existente ali, muita gente desconhece que a Caracu é uma fazenda produtiva, com atividades econômicas, pastagens, 700 cabeças de boi, além da própria sede, dos funcionários e de suas famílias que moram e trabalham nela’’, explica.
A Coopersul entrou com pedido de reintegração de posse na sexta-feira. No fim de semana, os fiscais do IAP estiveram na área e constataram a denúncia da Coopersul. Ontem pela manhã o líder do acampamento Pedro Brassi Filho esteve no escritório do IAP onde recebeu o termo de embargo.
Segundo o chefe regional do IAP José Claudinei Valentini a partir de ontem o que acontecer na área com relação ao desmatamento é de responsabilidade do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). ‘‘Eles estão cortando sem autorização e têm conhecimento da obrigatoriedade do embargo. Se eles continuarem cortando serão autuados’’, disse.
O integrante da coordenação do MST regional, Sérgio Adelmo Turco, disse que a ação dos sem-terra é normal e que eles estão apenas preparando a terra para o plantio. ‘‘Eles estão se virando. Apenas querem preparar a terra para fazer roças, só estão desmatando o que for propício para lavoura’’, garantiu.
Turco também informou que as famílias acampadas em Candói não visam apenas a fazenda da Coopersul. ‘‘Todas as fazendas daquela região são visadas. Se for esperar pelo Incra vai levar 10 anos para que essas famílias sejam assentadas. Então elas têm que se virar como podem’’, disse.

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