Marcos BorgesInvestigaçãoO delegado do 4º DP, Jurandir André, mostra foto do inquérito: ‘Não há por que pedir a preventiva’O sem-terra Alcino Menezes, 45 anos, prestou depoimento ontem à tarde ao delegado do 4º Distrito Policial, Jurandir Gonçalves André. Ele confirmou que estava na fazenda Borborema, em Tamarana (60 quilômetros ao sul de Londrina), no dia 27 de abril, quando o segurança José Lopes de Oliveira, 36 anos, conhecido como Django, foi morto com um tiro na cabeça. Alcino Menezes é um dos mais de 20 sem-terra, acusados de terem participado do assassinato de Django, que serão ouvidos pelo delegado.
Segundo Jurandir André, o depoimento de Alcino Menezes durou cerca de uma hora e não acrescentou nenhum fato novo ao inquérito. ‘‘Ele forneceu dois nomes de pessoas que estavam lá no dia do crime, mas que já eram do conhecimento da polícia.’’
Alcino Menezes foi reconhecido através de imagens feitas pela TV Londrina. Ele confirmou que usava capuz quando invadiu a casa onde ocorreu o assassinato, por estar ‘‘com medo’’. No depoimento, o sem-terra disse que, a pedido da equipe de TV, pegou a arma que estava ao lado da vítima e mostrou à câmera de televisão. Ele afirmou não saber quem é o autor do disparo que matou Django.
Jurandir André explica que Alcino Menezes responderá pelo crime de co-autor do assassinato, mas como se apresentou espontaneamente, ficará em liberdade. ‘‘Não há por que pedir a preventiva.’’, alega. Outros sem-terra que também se apresentarem esponteamente, afirma o delegado, responderão ao inquérito em liberdade. Antes dele, apenas o diretor regional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Josmar Choptian, prestou depoimento.
Após ser interrogado, Alcino Menezes saiu pelos fundos da delegacia, evitando falar com a imprensa. O advogado do MST, Gerson da Silva, diz que ele não quer se expor por ter recebido ameaças. Alcino Menezes é casado e atualmente mora no conjunto Tito Carneiro Leal (Saltinho), na zona sul. Ele informa que na época do assassinato, estava morando no acampamento da fazenda Borborema.
O advogado afirma que pretende apresentar outros sem-terra envolvidos no crime à medida que forem sendo encontrados. Ele revela que dificilmente todos os acusados prestarão depoimento. ‘‘Muitos ficaram com medo e sumiram’’, observa. Mas outros acusados podem se apresentar hoje à tarde.
O depoimento do sem-terra foi acompanhado pelo promotor da 1ª Vara Criminal de Londrina, Janderson Camões de Carvalho Iassaka. Ele informa que se for comprovado homicídio qualificado, Alcino Menezes pode pegar uma pena de 12 a 30 anos de prisão.

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