Os sem-terra Walfrido Balduino de Oliveira e Verinaldo Francisco de Souza, que estavam acampados na Fazenda São Pedro, em Querência do Norte (113 km a oeste de Paranavaí), denunciaram ontem ações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no acampamento e a ameaça de morte feita contra eles por líderes do movimento.
Os dois estavam acampados na área há cerca de oito meses e, segundo denunciaram, por discordarem dos rumos do movimento foram ‘‘despejados’’ do acampamento. Os móveis das duas famílias foram levados por um caminhão, que prestaria serviço ao MST, para o pátio de uma igreja evangélica de Querência do Norte.
Segundo os depoimentos dos sem-terra para a polícia, famílias que vieram do Mato Grosso do Sul e do Oeste do Paraná tinham promessa do MST de assentamento na região de Paranavaí. Mas, chegando em Querência do Norte, os sem-terra foram obrigados a participar de invasões de fazendas, transferir animais de uma área para outra e até roubar e matar gado a mando dos líderes do movimento, conforme disseram. Os sem-terra também alegaram que o MST não respeita as normas do Incra, que definiu um número de famílias em cada propriedade. O movimento teria determinado um número menor de famílias e pedido para as demais desocuparem o acampamento.
Os que não saíram tiveram os pertences retirados, relataram Oliveira e Souza. Segundo o escrivão da delegacia de Querência do Norte, Cesar Napoleão Ribeiro, o motorista do caminhão que levou a mudança foi ouvido ontem e alegou que estava apenas ‘‘fazendo uma mudança a pedido do MST’’. Juntos, os dois sem-terra tinham lavouras de feijão e milho e sete animais, que sumiram na ‘‘mudança’’. O escrivão informou ainda que, além dos dois, famílias de ex-brasiguaios também apresentaram reclamações de estarem passando fome nos acampamentos. Ele calcula que são cerca de 50 famílias em cada área ocupada, atraídas pelo MST para a região.
A polícia, segundo o escrivão, está investigando as ações do MST e a veracidade da denúncia de ameaça de morte. ‘‘Se houve mesmo ameaça, vamos apurar os fatos’’, disse o escrivão. Ele explicou ainda que a prefeitura está tentando conseguir transporte para a mudança dos sem-terra que deixam os acampamentos e retornam aos locais de origem. A Folha tentou ontem falar com os líderes do MST em Querência do Norte, mas nenhum foi localizado na cooperativa do movimento na cidade até o final da tarde.

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