Curitiba

Marcelo AlmeidaRetornoDepois da reunião no Incra, sem-terra deixaram Curitiba ontem à noiteOs cerca de 600 trabalhadores sem-terra que acamparam em Curitiba na última quarta-feira voltaram ontem para seus locais de origem. Eles saíram à noite, em dez ônibus cedidos pela prefeitura, depois de passar o dia numa reunião na sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A superintendente do órgão, Maria de Oliveira, reafirmou que de agora em diante deverão ser desapropriadas ‘‘de três a quatro’’ áreas por semana no Paraná. ‘‘A marcha cumpriu o objetivo de sensibilizar a opinião pública, mas vamos continuar pressionando pela agilização da reforma agrária’’, disse Roberto Baggio, da coordenação do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).
Durante a reunião no Incra, os sem-terra pediram a definição de um cronograma de assentamentos para as cerca de 9,5 mil famílias acampadas no Paraná. Segundo Baggio, a maior parte dessas famílias (8 mil) está em fazendas invadidas, cuja desapropriação o MST reivindica. Para atender as demais (que vivem em acampamentos à beira de estradas) e o excedente das áreas ocupadas, seriam necessários, segundo ele, 100 mil hectares de terras.
O Incra informou que vai desapropriar, até o final do ano, um total de 56,4 mil hectares, suficientes para abrigar 2.692 famílias. Além disso, pretende comprar 20 mil hectares no leilão marcado para o dia 6 de novembro, em Maringá. O Incra também conta com a desapropriação de 27 áreas no Noroeste do Paraná, apontadas como improdutivas no recadastramento. Também deverão ser vistoriados cerca de 60 mil hectares tomados de devedores por vários bancos e ofertados ao Incra. Somando essas alternativas, existe a possibilidade de que o número de famílias assentadas até o início de 98 chegue a 3.500.
Ontem à tarde, um grupo de líderes do MST foi até a prefeitura entregar ao prefeito Cássio Taniguchi uma cesta de alimentos produzidos em áreas de assentamento. O MST agradeceu pela infra-estrutura fornecida pela prefeitura durante a permanência em Curitiba e pela intermediação política feita por Taniguchi junto ao governo estadual. ‘‘A interferência do prefeito facilitou as negociações’’, disse Roberto Baggio. Segundo ele, uma comissão de sem-terra poderá voltar a Curitiba em novembro, para uma nova rodada de negociações.

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