Sem-terra deixam área para vistoria
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de fevereiro de 1997
Lucinéia Parra Sucursal de Maringá 
Edson GuittiSede da fazenda ocupada em janeiro: vistoria do Incra vai verificar a produtividade da áreaOs trabalhadores sem-terra acampados na fazenda Doralúcia, em Cruzeiro do Sul (70 quilômetros de Maringá), desde o dia 15 de janeiro, deixaram a terra ontem à tarde para uma vistoria do Incra. A desocupação, segundo uma liderança do MST, pode ser definitiva se o órgão concluir que a área é mesmo produtiva.
Os sem-terra montaram acampamento na beira da estrada vicinal que dá acesso à fazenda. A desocupação foi negociada no início do mês entre representantes do Movimento Nacional dos Trabalhadores Sem-Terra, do Incra e o procurador do proprietário da área.
De acordo com o advogado do MST na região, Marino Gonçalvez, os sem-terra concordaram em deixar a fazenda de forma pacífica diante da promessa do Incra de vistoriar a área no próximo dia 17. Hoje, o Incra deverá notificar os proprietários da fazenda sobre a desocupação da área.
O laudo da vistoria sairá no dia 28. Segundo Gonçalvez, os sem-terra vão respeitar o resultado do laudo. Se o Incra reconhecer a produtividade da fazenda, os trabalhadores vão deixar definitivamente a área.
Cerca de 15 alqueires de milho que foram cultivados pelos sem-terra durante a ocupação também devem ser preservados até a apresentação do laudo. A fazenda tem 350 alqueires e pertence ao grupo Jofran, de Curitiba. Um dos proprietários da área, João de Oliveira Franco, confirmou à Folha, no mês passado, que a propriedade está sob hipoteca do Banco Bamerindus como garantia de uma operação de crédito. Segundo Franco, a operação foi renovada recentemente e o prazo de carência para quitação da dívida é de cinco anos.
As cerca de 110 famílias que ocuparam a fazenda Doralúcia vieram de acampamentos na região Oeste do Estado, inclusive da fazenda Pinhal Ralo, em Rio Bonito do Iguaçu. A maioria morava nos municípios de Campo Bonito e Guaraniaçu.


