Sem-terra deixam área antes de despejo
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terça-feira, 10 de novembro de 1998
Paulo Pegoraro 
Lavradores sem-terra que haviam invadido a Fazenda Santa Izabel, em Lindoeste (50 km ao sul de Cascavel), deixaram a propriedade no final de semana, se antecipando ao despejo que deveria ocorrer amanhã. A Justiça concedeu reintegração de posse ao proprietário, porque a área é produtiva, segundo laudo expedido recentemente pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). As famílias permanecem em Lindoeste, em vários locais, e têm a expectativa de serem assentadas no próprio município. O grupo de invasores tem origem num acampamento às margens da BR-277, próximo de Ibema.
A ocupação da Fazenda Santa Izabel, de 449 hectares e de propriedade de Shigueo Komori, de Cascavel, foi considerada um erro por lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) na região, por se tratar de área não desapropriável para reforma agrária. O chefe da Unidade Avançada do Incra em Cascavel, Valdir Dorini, disse ontem que será feita uma nova vistoria no local, porque algumas informações levantadas na inspeção anterior podem não estar corretas. Dorini observa que o Incra tentará encontrar uma área para assentar as famílias no próprio município.
A Justiça havia dado prazo de 15 dias para os sem-terra desocuparem a propriedade. Eles disseram que não esperariam para serem despejados, e reconheciam que a invasão teve objetivo de pressionar o Incra para assentá-los em algum lugar. Há dúvidas quanto ao contingente. Os líderes afirmam serem 36 famílias, mas oficiais de Justiça estimaram número bem inferior. Os sem-terra haviam permanecido quase 1 ano à margem da BR-277, juntamente com outro grupo, que ocupou a Fazenda Água Amarela, em Ramilândia.
O caso da Fazenda Santa Izabel gerou polêmica não apenas por se tratar de área produtiva. O procurador de Shigueo Komori, seu genro Nelson Yassuo Nício, foi avisado previamente que os sem-terra entrariam na propriedade. O avisou foi dado por um vereador de Lindoeste, Neuri Sperotto (PMDB), ex-sem-terra, que chegou a aconselhar o procurador a negociar a terra com o Incra. Nelson Nício prepara documentação para responsabilizar judicialmente o vereador, por entender que foi coagido por Neuri Sperotto.


