O Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) continua enviando famílias de outros Estados para a região Noroeste do Paraná. Apesar do clima calmo na Fazenda Água Amarela, em Jardim Olinda (135 km ao norte de Maringá), reocupada dois dias depois do despejo feito pela Polícia Militar, os sem-terra engrossam o acampamento para resistir a qualquer tentativa de desocupação.
De sábado até ontem, foram deslocadas para a área 250 pessoas do Pontal do Paranapanema (extremo oeste de SP), segundo a dirigente Diolinda Alves de Souza, mulher do líder José Rainha Júnior. ‘‘É nosso exército’’, disse Diolinda.
A coordenação estadual do MST alega que não existe movimentação de trabalhadores na região, mas a polícia confirma que ônibus com sem-terra estão se deslocando para Jardim Olinda.
Em Paranacity (51 km de Paranavaí), os advogados do MST pediram ontem o relaxamento da prisão de cinco dos seis sem-terra presos durante a desocupação da fazenda Água Amarela, na quinta-feira passada. O outro sem-terra preso, Francisco Luiz de Oliveira, teve o pedido de liberdade provisória, com fiança, porque foi autuado por porte ilegal de arma. Eles estão há uma semana na cadeia de Maringá.
O advogado Marino Gonçalves, da Rede Autônoma de Advogados Associados, explicou que o motivo da prisão é desobediência a ordem judicial, formação de quadrilha e esbulho possessório (carcaterizado como prejuízo a propriedade ou proprietário). ‘‘Nenhum dos crimes atribuídos ficou caracterizado contra os trabalhadores presos’’, afirmou.
Gonçalves acrescenta que o próprio comandante da operação alegou no dia da ação policial que não sabia o motivo das prisões e que não estava de porte da ordem judicial. O pedido de liberdade dos sem-terra será analisado pela juíza de Paranacity, Márcia Andrade Gomes Bosso. Ela vai analisar ainda o pedido de prisão do líder do MST na região, Francisco Strozati, o Chicão, feito pelo delegado de Jardim Olinda, Ariosvaldo Cortiano.
Ontem a juíza disse à Folha que já encaminhou o pedido de prisão de Chicão para a promotoria, e que aguarda o parecer do promotor substituto até o final da semana. Até o momento em que falou com a Folha, ela ainda não havia recebido o pedido de relaxamento da prisão dos sem-terra.

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