Sem-terra da Doralúcia ainda aguardam vistoria
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 1997
Lucinéia Parra Sucursal de Maringá 
CRUZEIRO DO SUL - Os trabalhadores sem-terra acampados em uma estrada vicinal em frente à Fazenda Doralúcia, em Cruzeiro do Sul (80 quilômetros de Maringá), estão revoltados com o descumprimento do acordo feito no início de fevereiro, que previa a vistoria da área pelo Incra. Os acampados tinham desocupado a área no dia 12 para que a vistoria fosse realizada. Os sem-terra alegam que os proprietários aproveitaram o atraso da vistoria para contratar jagunços.
De acordo com o assessor jurídico da superintendência regional do Incra, Osvaldo Aranha, a vistoria não foi realizada porque os proprietários da área alegaram problemas de ordem administrativa na notificação emitida pelo órgão. Estes problemas já foram resolvidos e marcamos para o dia 14 de março o início da vistoria, disse.
A vistoria da fazenda Doralúcia deve demorar uma semana. Depois deste prazo, segundo Aranha, serão necessários mais cinco ou seis dias para a elaboração do laudo. Se ficar comprovada a improdutividade da área, o processo de desapropriação vai para Brasília.
Segundo um dos líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) na região, Ildo Roque Calza, a situação em Cruzeiro do Sul é preocupante. Ficamos sabendo que os proprietários contrataram 40 jagunços para intimidar os trabalhadores, disse Calza, que ocupa uma área em Paranacity (3 quilômetros de Cruzeiro do Sul). A Folha não conseguiu localizar ontem os proprietários da área. A Fazenda Doralúcia tinha sido ocupada pelos sem-terra no dia 7 de dezembro.


