O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) considerou um retrocesso do governo do Paraná a indicação de Cândido Martins de Oliveira (foto) para a Secretaria de Estado de Segurança Pública, cargo que ele ocupou entre janeiro de 1995 e junho de 1997. Líderes dos sem-terra afirmaram que sob este governo a secretaria tem agido como um braço armado dos fazendeiros.
Somente em 1998, 73 trabalhadores foram presos. No governo Jaime Lerner, foram 121 prisões e sete mortes. Oliveira disse ser um ‘‘equívoco a constatação dos sem-terra’’ e que recebeu com normalidade a rejeição do movimento, ‘‘já que o MST tem uma visão política.’’
Para o advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Darci Frigo, a indicação de Oliveira é uma ‘‘afronta ao movimento social e à sociedade paranaense. ‘‘É uma declaração de guerra que o governador está fazendo’’, disse. ‘‘Jaime Lerner começa o segundo mandato dando um passo atrás, dando incentivo à repressão.’’
O coordenador do MST no Estado, Roberto Baggio (foto ao lado), disse que Oliveira se especializou em perseguir dirigentes do MST quando esteve na secretaria, para impedir a organização do movimento. ‘‘Ele tem se especializado em prender sem-terra’’, afirmou. Baggio disse, no entanto, que a reação será maior, se maior for a repressão. ‘‘Na medida em que ele tenta encurralar e humilhar os agricultores, a reação será mais forte.’’
Segundo o dirigente, as ocupações serão mais frequentes em 1999. ‘‘As ocupações dependem do estado de necessidade dos trabalhadores. Pela crise que passamos, os acampamentos vão se ampliar’’.
Prestes a assumir o segundo mandato na pasta da Segurança Pública, Cândido Oliveira disse que vai seguir a filosofia do governo do Estado com relação aos sem-terra. ‘‘Vamos tentar resolver os impasses através do diálogo e negociação entre as partes’’, afirmou. ‘‘Claro que teremos que ter a manutenção da ordem e respeito a lei.’’
O novo secretário disse que não trata de forma diferenciada os fazendeiros e tem a impressão que os proprietários de terra possuem a mesma postura que o MST em relação a sua nomeação. ‘‘Cada uma das partes gostaria de poder escolher um representante seu’’, disse, negando ter ligação com a bancada ruralista.

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