Sem-terra consideram nomeação de Candinho um ''retrocesso''
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de dezembro de 1998
James Alberti 
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) considerou um retrocesso do governo do Paraná a indicação de Cândido Martins de Oliveira (foto) para a Secretaria de Estado de Segurança Pública, cargo que ele ocupou entre janeiro de 1995 e junho de 1997. Líderes dos sem-terra afirmaram que sob este governo a secretaria tem agido como um braço armado dos fazendeiros.
Somente em 1998, 73 trabalhadores foram presos. No governo Jaime Lerner, foram 121 prisões e sete mortes. Oliveira disse ser um equívoco a constatação dos sem-terra e que recebeu com normalidade a rejeição do movimento, já que o MST tem uma visão política.
Para o advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Darci Frigo, a indicação de Oliveira é uma afronta ao movimento social e à sociedade paranaense. É uma declaração de guerra que o governador está fazendo, disse. Jaime Lerner começa o segundo mandato dando um passo atrás, dando incentivo à repressão.
O coordenador do MST no Estado, Roberto Baggio (foto ao lado), disse que Oliveira se especializou em perseguir dirigentes do MST quando esteve na secretaria, para impedir a organização do movimento. Ele tem se especializado em prender sem-terra, afirmou. Baggio disse, no entanto, que a reação será maior, se maior for a repressão. Na medida em que ele tenta encurralar e humilhar os agricultores, a reação será mais forte.
Segundo o dirigente, as ocupações serão mais frequentes em 1999. As ocupações dependem do estado de necessidade dos trabalhadores. Pela crise que passamos, os acampamentos vão se ampliar.
Prestes a assumir o segundo mandato na pasta da Segurança Pública, Cândido Oliveira disse que vai seguir a filosofia do governo do Estado com relação aos sem-terra. Vamos tentar resolver os impasses através do diálogo e negociação entre as partes, afirmou. Claro que teremos que ter a manutenção da ordem e respeito a lei.
O novo secretário disse que não trata de forma diferenciada os fazendeiros e tem a impressão que os proprietários de terra possuem a mesma postura que o MST em relação a sua nomeação. Cada uma das partes gostaria de poder escolher um representante seu, disse, negando ter ligação com a bancada ruralista.


