Sem-terra ampliam área de ocupação
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segunda-feira, 04 de agosto de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
Gustavo CoutoPressãoPara pressionar o Incra, famílias acampadas na Pinhal Ralo ocuparam mais 13 mil hectares da fazenda O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) do Paraná informou ontem que famílias acampadas na Fazenda Pinhal Ralo, em Rio Bonito do Iguaçu (125 quilômetros a leste de Cascavel), ocuparam mais 13 mil hectares da propriedade, para pressionar o Incra a desapropriar área suficiente para assentar todas as 1,6 famílias do acampamento. No início do ano, o Incra desapropriou 16,9 mil hectares, o suficiente para no máximo 900 famílias. Não há lugar disponível, até o momento, para assentar o restante.
A nova ocupação foi pacífica. Não houve incidentes entre sem-terra e guardas da fazenda. Em janeiro, dois lavradores foram mortos a tiros na área, supostamente por seguranças.
A propriedade foi invadida em abril do ano passado por três mil famílias, na maior ação do gênero no País. Porém, o número de acampados foi diminuindo aos poucos. A Fazenda Pinhal Ralo tinha originalmente 47 mil hectares, parte de um conjunto de propriedades da empresa Araupel (ex-Giacomet-Marodin), com total de 83 mil hectares.
Elemar Cezimbra, da coordenação do MST, disse que a ocupação ocorreu em área de capoeira. As famílias não podem ficar sem trabalhar, sujeitas à fome e à miséria. Segundo ele, os excedentes seriam simplesmente jogados à beira de uma rodovia.
O Incra não dispõe de terras para assentar ou mesmo para instalar provisoriamente as famílias excedentes. Em todo o Paraná, em setenta propriedades ocupadas ou em beira de estrada, há 9 mil famílias cadastradas esperando assentamento.
Segundo a superintendente do Incra no Estado, Maria de Oliveira, a situação na Pinhal Ralo é delicada, por causa da exclusão que deverá ocorrer. Em recente visita aos acampados, ela já havia alertado que não haveria lugar para todos.
Dos 16,9 mil hectares desapropriados, só 12 mil poderão ser efetivamente utilizados para agricultura, porque o restante é de preservação, segundo estudo do Incra. O órgão começou há duas semanas a etapa preliminar da seleção das famílias que permanecerão no local.
O trabalho deve ser completado na semana que vem, para depois ser feita uma avaliação final em conjunto com o próprio MST. Há também tentativa de negociação com a Araupel para nova desapropriação. O MST trabalha com a informação de que já estaria pronto um decreto, a espera de aprovação da direção nacional do órgão.
O Incra considerava a possibilidade das famílias excedentes aceitarem permanecer em uma parte da área já desapropriada, produzindo coletivamente para subsistência até que houvesse a possibilidade de assentamento.
O gerente de recursos Humanos da Araupel, Roni Chiochetta, disse ontem à tarde que a empresa estava sendo informada por vocês, da Imprensa sobre a nova ocupação. Segundo ele, não havia funcionários da empresa no local no momento da ação.
Fomos surpreendidos, afirmou. A área é de reflorestamento e matas nativas, afirmou. A empresa obteve recentemente na Justiça um interdito proibitório, instrumento para prevenir novas invasões. A empresa espera seu cumprimento, disse o gerente.


