Sem-terra ameaçam invadir a Mitacoré
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quarta-feira, 06 de agosto de 1997
Valmir Denardin São Miguel do Iguaçu 
ZanellaAcampamentoOs sem-terra tiveram cortar 120 árvores para instalar as barracas nas margens da BR-277 Cerca de 120 famílias ligadas ao Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ocuparam ontem uma faixa de terra à margem da BR-277, no município de São Miguel do Iguaçu (40 quilômetros ao norte de Foz do Iguaçu). A área - destinada a funcionar como faixa de segurança ao longo da rodovia - pertence ao Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER).
A área onde os sem-terra montaram acampamento fica ao lado da Fazenda Mitacoré, que pertencia ao Banco Bamerindus do Brasil, e uma propriedade da Itaipu Binacional, utilizada para o reflorestamento das margens da represa da hidrelétrica de Itaipu.
Os sem-terra cortaram 120 árvores para instalar as barracas. Assim que percebeu o movimento na área, a administração da fazenda acionou a Polícia Militar de Santa Terezinha de Itaipu (25 km ao norte de Foz).
Oitir Finkler, de 26 anos, integrante do grupo que coordena a ocupação, disse que o acampamento tem o objetivo de pressionar o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a realizar o assentamento de famílias de sem-terra no Oeste do Paraná. Segundo ele, mais famílias de municípios da região devem engrossar o acampamento nos próximos dias.
Finkler anunciou que, se o assentamento não for realizado, os sem-terra vão invadir propriedades da região, inclusive a Fazenda Mitacoré, que já obteve diversos prêmios de produtividade. Vamos ocupar áreas improdutivas, ou que não cumprem sua função social, ou cujos donos estão devendo impostos, afirmou o líder do MST.
Finkler disse que a Mitacoré não é improdutiva, mas também não cumpre sua função social, gera poucos empregos e não produz alimentos para os moradores da região.
Os sem-terra começaram a chegar à área pertencente ao DNER às 4h30 de ontem. Segundo Finkler, o local é propício a um acampamento por possuir água de boa qualidade.
A Folha procurou ontem o engenheiro chefe do escritório do DNER em Foz do Iguaçu, Vicente Veríssimo Júnior. Segundo funcionários, ele estava em reunião e não poderia atender a reportagem.


