Edson Guitti




Sem-terra montam barracas na fazenda Doralúcia, invadida em janeiro, em Cruzeiro do Sul, na região Noroeste. O sem-terra José Eduardo: ‘‘Vamos continuar invadindo terra, com UDR ou sem UDR





Os líderes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) na região de Paranavaí não se importam com a recriação da UDR. Eles afirmam que a entidade está ressurgindo no Paraná para tentar inibir as invasões, mas prometem que elas vão continuar em todo Estado.
Donos de uma linguagem simples - a maioria terminou apenas o 1º grau - os responsáveis por equipes de trabalhos dentro do movimento têm na ponta da língua um discurso de esquerda. Afirmam que a terra tem uma função social e que os trabalhadores que foram expulsos da terra estão agora lutando por um espaço para plantar.
De acordo com o sem-terra José Eduardo Regine, 22 anos, da liderança do movimento, a UDR não intimida o movimento dos sem-terra. ‘‘Eles podem se unir e tentar sensibilizar a população, mas nós sabemos dos nossos direitos e vamos lutar por eles’’, garante. Regine cursa o 4º ano do curso técnico de contabilidade e diz que sempre morou na zona rural.
Regine explica que as convocações nas cidades de pessoas desempregadas para engrossar o movimento sem-terra são legítimas. ‘‘Participa das invasões quem quer. Ninguém é obrigado’’.
Para Regine, mesmo o trabalhador da cidade que nunca atuou no campo e desconhece a atividade rural tem o direito de ganhar um pedaço de terra e aprender a trabalhar nela. ‘‘Nós temos engenheiros agrônomos nos assentamentos.’’
Olávio Shirmam, 49 anos, é outro coordenador de grupos dos sem-terra na fazenda Sonho Real, em Querência do Norte. Ele terminou apenas o 1º grau, mas fala com habilidade sobre os projetos do MST. ‘‘Hoje a maior organização da América Latina é o Movimento dos Sem-Terra’’, diz.
Ele garante que as invasões de fazendas são a única forma de forçar o governo a realizar a reforma agrária e que por isso, elas vão continuar. Para Shirmam, a região Noroeste é bastante visada pelo MST porque é onde existem muitos latinfúndios, muitas terras improdutivas e muitos sem-terra passando fome. ‘‘A invasão é ilegal, mas é justa.’’

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