Marccio W. Varella

Dez sem-terra agredidos por jagunços durante a desocupação da Fazenda Boa Sorte no sábado, em Marilena (76 km de Paranavaí), prestaram depoimento ontem ao delegado Eduardo Mady Barbosa, de Nova Londrina, no inquérito aberto para apurar nomes dos responsáveis pelas agressões. Durante a desocupação, o sem-terra Sebastião Camargo Filho, 65 anos, foi morto, e outros dois ficaram feridos.
Pedro Ângelo, que teve uma costela quebrada, já recebeu alta do hospital. Dirceu Cordeiro de Oliveira, que levou dois tiros nas nádegas, passa bem mas ainda está internado na Santa Casa de Paranavaí.
Na presença da advogada Teresa Cofré, da Rede Autônoma de Advogados Populares de Maringá, e de representantes da Promotoria Pública, os sem-terra disseram em depoimento que o presidente da UDR (União Democrática Ruralista) do Paraná, Marcos Prochet, comandou a desocupação das duas fazendas, a Santo Ângelo e a Boa Sorte.

VersõesOs sem-terra estão prestando depoimento na delegacia de Nova Londrina; o presidente da UDR, Marcos Prochet, (ao lado), diz que vai acionar a Justiça contra as acusações de que teria comandado o despejo violento em Marilena.‘‘O reconhecemos pela estatura e pela voz. Ele é quem dava as ordens de comando. Os donos das duas fazendas, o Teissin Tina e o Toshio Konda, acompanhados de seus filhos, também estavam lá. Sabemos porque convivemos há tempos com eles. Eles conversam diariamente com a gente, prometem que o Incra está resolvendo tudo, que tudo vai dar certo, que é pra gente não se preocupar, que está tudo tranquilo. Disseram isso pra nós na véspera do massacre’’, disse à Folha o sem-terra Leno de Oliveira Souza, 20 anos, que prestou depoimento às 11 horas. Leno disse que foi agredido a coronhadas de espingarda calibre 12.
A mesma história foi contada pelo sem-terra Elói Citadala, 36 anos, em depoimento. A advogada Teresa Cofré também confirmou à Folha os depoimentos dos sem-terra: ‘‘Se houver indícios de que o Marcos Prochet participou da desocupação, ele sem dúvida será indiciado pela Promotoria Pública’’.
O delegado vai ouvir ainda esta semana os proprietários das duas fazendas e do detetive Osnir Sanches, dono da empresa Depropar, de Paranavaí, acusado pelo jagunço Augusto Barbosa da Costa, preso domingo, de ter contratado os pistoleiros. A prisão preventiva do detetive foi pedida ontem.
Também deverá ser ouvido o proprietário da Fazenda Figueira, onde os pistoleiros foram presos no domingo.
Segundo a secretaria geral do Bradesco em Osasco (SP), a Fazenda Figueira pertence à empresa Santa Maria Agropecuária que é gerenciada por Marcelo Aguiar.
Em entrevista ontem à tarde, o presidente da UDR, Marcos Prochet, negou as acusações feitas pelos sem-terra. Ele deve acionar a Justiça para que as denúncias sejam comprovadas (leia nesta página).

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