Sem susto, ele prepara cadáveres
Adriana Ribeiro
Mauro FrassonDomahovski trabalha com cadáveres mas não perde o bo m humor
O especialista em conservação de peças anatômicas Geraldo Domahovski é o que se pode chamar de um profissional sangue frio. Há quinze anos, ele trabalha na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), preparando corpos utilizados em dissecação, prevista na disciplina de Anatomia Humana. Mas na verdade, seu trabalho com cadáveres dura muito mais tempo.
A história ‘mórbida’ de Domahovski teve início em 1940, em Curitiba, quando ele tinha apenas nove anos. Naquele ano, iniciou seu aprendizado com o especialista polonês Domingos Lukaszewicz, que ele prefere chamar de pai de criação. Com carinho, ele conta que Lukaszewicz chegou ao Brasil em 1930, um ano antes de seu nascimento. Ele veio da Polônia, onde já trabalhava no preparo de cadáveres, e não encontrou dificuldades em continuar sua especialização em Curitiba, onde passou a atuar na Universidade Federal do Paraná (UFPR), desde sua fundação.
De poucas palavras, mas sem esconder um humor refinado, Domahovski lembra que seu primeiro emprego foi no Instituto Auxiliar Científico, de Lukaszewicz - fabricava peças artificiais e preparava peças naturais do corpo humano. Ainda criança, sua tarefa era retirar todos os músculos dos ossos, ‘‘para mantê-los limpos e brancos’’, conta afirmando que nunca ficou impressionado com o que fazia.
Com o passar do tempo, Domahovski foi aprendendo as técnicas que fazem parte da preparação de cadáveres, utilizadas por um pequeno grupo de profissionais. Entre elas está um método que hoje é aplicado apenas na PUC-PR, e que, depois de aperfeiçoado por Domahovski, garante a conservação dos cadáveres por mais tempo.
O especialista chefia o Museu de Medicina Legal do Instituto Médico Legal (IML), onde já acumula 25 anos de experiência remunerados por apenas R$ 395,00 de salário-base. Por causa do sucateamento do instituto, Domahovski diz que é um funcionário polivalente. ‘‘Sou chefe, mas também zelador, porteiro e limpador de peças’’, brinca.
A profissão de técnico em conservação de peças anatômicas não possui muitos seguidores no Brasil. Apesar da importância, Domahovski diz que ela só vale a pena por ideal, mas nunca por questões financeiras. Mesmo assim, ele nunca quis seguir outro caminho.

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