No momento em que a demanda por vagas em hospitais de Londrina é gritante, surge um ''imprevisto'' que pode atrasar ainda mais a oferta de novas vagas na cidade. Os cerca de 70 funcionários que trabalham na ampliação do Hospital da Zona Norte (HZN) paralisaram as obras, ontem, devido ao atraso no pagamento dos salários.
A CTO (Construtora Técnica de Obras Civis Ltda), empresa de Astorga (PR) vencedora de licitação para executar a obra orçada em R$ 6,4 milhões, terceirizou a contratação de mão-de-obra para outra firma do mesmo município, a construtora Crup. Segundo os operários, há pelo menos cinco meses os salários vêm sendo pagos com atraso - o maior chegou a dez dias.
''Já ameaçamos paralisar outras vezes, mas eles resolviam o problema. Agora ultrapassou o limite. Tivemos um colega preso por fazer ligação clandestina de energia na casa dele porque não tinha dinheiro para pagar a conta de luz'', ilustrou o pedreiro Altair Fava, representante dos funcionários. De acordo com ele, a maioria dos operários é de Londrina e muitos moram em assentamentos. Apesar da necessidade, vários já teriam pedido demissão. Um cartaz colado na entrada do HZN anuncia que ''precisa-se'' de funcionários para a obra.
Iniciada em outubro de 2006, a ampliação que irá dobrar a capacidade de atendimento do hospital teve o prazo de conclusão revisto de julho para setembro deste ano. ''Foi por causa das chuvas, no começo, mas agora a obra está dentro do cronograma, em fase de acabamento. Estamos dando nosso sangue para terminar a tempo'', ressaltou Fava.
O diretor de finanças do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário (Sintracom) em Londrina, José Aparecido Martins, denunciou que os atrasos salariais estão ocorrendo em todas as obras da empreiteira no Paraná. ''Se o pagamento é feito após o quinto dia útil do mês, já está fora da lei. Cabe ao Ministério do Trabalho fiscalizar isso e decidir sobre possíveis multas'', ponderou.
A CTO é a mesma empresa responsável pela ampliação do Hospital da Zona Sul (HZS), onde até ontem os funcionários trabalhavam normalmente; pela construção do Centro de Detenção e Ressocialização (CDR) de Cascavel e dos Centros de Sócio-Educação de Maringá e Piraquara. Também foi a construtora que entregou o CDR de Londrina há dois meses - cujo atraso, na reta final, foi atribuído a falhas no repasse de verbas do governo.
O diretor administrativo do HZN, João Batista Rodrigues, afirmou que o hospital tem pressa em receber a obra para, então, iniciar a reforma do atual prédio. Segundo ele, todos os setores serão transferidos para a nova área construída. Somente depois de concluídas todas as reformas é que finalmente a unidade poderá dobrar o atendimento, passando de 76 para 140 leitos.
A FOLHA ligou diversas vezes para o telefone da Crup em Astorga e deixou recado, mas não obteve retorno. O administrador da CTO estava viajando. A reportagem também não encontrou ninguém para comentar o assunto na Secretaria de Obras do Estado.

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