Sem salário, legista de Umuarama deixa IML
Vânia Moreira
De Umuarama
O Instituto Médico-Legal (IML) de Umuarama está sem legista. O oftalmologista Everaldo Batista Azevedo que prestava serviços ao IML suspendeu o atendimento no final de semana e garante que só volta a trabalhar se receber os atrasados. O médico alega que estava trabalhando de graça para o IML havia quatro meses.
O delegado-chefe da 7ª Subdivisão Policial, Silvan Rodney Pereira, informou ontem que comunicou o problema à Secretaria de Segurança Pública. Segundo Pereira, se chegarem cadáveres no IML, os delegados terão que requisitar médicos para fornecer o laudo. Os médicos não podem se recusar a atender, disse.
Everaldo Azevedo presta serviços ao IML de Umuarama desde 1989. Até dois anos atrás, ele recebia do Estado. Quando a Secretaria de Segurança Pública suspendeu o pagamento, as 32 prefeituras que compõem a Associação dos Municípios de Entre Rios (Amerios) assumiram a despesa. Segundo Azevedo, há quatro meses os municípios também não estão pagando os honorários dele.
O presidente da Amerios, Antônio Cabrera de Sá (PDT), prefeito de São Tomé (103 km a nordeste de Umuarama), informou que os municípios pararam de pagar porque a despesa é irregular e poderia criar problemas junto ao Tribunal de Contas. Segundo Cabrera, os prefeitos vão discutir o problema do IML numa reunião, sexta-feira, em São Manoel do Paraná (100 km a nordeste de Umuarama).
Em maio, o IML ficou sem o único funcionário, o auxiliar de necrópsia Antônio Soares, afastado do cargo por denúncias de falsa perícia e cobrança ilegal de embalsamento de corpos. O funcionário foi afastado dia 13 de maio, depois de admitir que não retirou os projéteis dos corpos de dois homens assassinados dentro do Posto Quatro Rodas. Soares apresentou outra bala como se fosse a do crime.
Depois disso, várias pessoas denunciaram Soares por cobrar cerca de R$ 300,00 para embalsamar corpos e embolsava o dinheiro. O Estado cobra R$ 168,00 pelo serviço e o pagamento é feito no banco através de guia.





