Sem salário, 8% dos devedores não pagam
Sem salário, 8% dos
devedores não pagam
O vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Capitão Leônidas Marques, Sílvio Schio, que é também secretário-geral da prefeitura, aponta como outro desdobramento do efeito barragem a grande inadimplência no pagamento de contas de serviço público. Segundo Sílvio, no caso de água e luz já está constatado que 8% da população urbana não estão pagando. A prefeitura tem feito a quitação de muitas faturas em troca de serviços eventuais prestados pelos inadimplentes, em pequenas frentes de trabalho, mas não pode assumir as dívidas de todo o contingente.
A oferta de trabalho é muito limitada, na cidade, onde as poucas indústrias são basicamente da área moveleira, e embora a prefeitura tenha ofertado barracões para outras se instalarem. Um bairro, a Vila Santa Mônica, é exemplo da concentração de pessoas sem emprego, a ponto de também ser denominado pelos moradores vila dos desempregados. Na área proliferam casebres e barracos, dos quais muitas pessoas saíram à rua, ao verem o carro da Folha, com o repórter fazendo perguntas, inclusive sobre contas de serviço não pagas.
Vocês é que resolvem o problema da água e da luz? foi pergunta comum, ouvida pela Reportagem. Em uma esquina, em todas as casas dos quatro cantos de ruas havia desempregados. Caso de Valdemar Zanco, 47 anos, quatro filhos, que trabalhou como servente na barragem, recebendo uns quinhentos reais por mês seu maior salário até hoje. Valdemar, que tem sequelas na perna, de acidente sofrido na concretagem, diz que procurou emprego por todo lado, inutilmente. Dois filhos, de 23 e 21 anos, foram embora para Cascavel, onde estão muito bem, conta, revelando o trabalho que conseguiram: catar papel nas ruas.
Com Valdemar e a esposa, porém, ainda ficaram outros dois filhos, um rapaz de 18 anos e uma garota de 15 anos. Em outra casa, o desempregado Paulo Roque, 40 anos, quatro filhos, que deixou Francisco Beltrão (no Sudoeste) com a família, atraído por Caxias. Na barragem, ele recebia R$ 450,00, trabalhando no concreto; hoje, só consegue alguma coisinha aqui e ali, como servente, trabalhando um dia e ficando vários parado. A filha Dulce, 18 anos, ajuda a manter a casa porque é a única com emprego fixo, em uma fábrica de móveis. Ela diz que depois da barragem, parece que morreu tudo, por aqui. (P.P.)





