Sem saber do adiamento, usuários lotam lojas de venda de passes
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sexta-feira, 23 de maio de 2003
Fábio Galão<BR>Reportagem Local 
Desconhecendo o adiamento do reajuste da tarifa do transporte coletivo, centenas de londrinenses foram ontem aos pontos de venda de passes e encararam filas gigantescas para aproveitar o preço antigo. Na loja da TCGL, na rua Quintino Bocaiúva, região central, o tempo médio de espera era de cerca de meia hora. A administração do local estimou que o movimento ontem foi 50% superior ao normal.
No início da tarde, quando a reportagem da Folha esteve no local, Leandro Bento de Oliveira esperava há vinte minutos que sua senha chegasse, e ainda faltavam 82 números. Estou comprando passes para a loja onde trabalho. E estou apreensivo porque tenho ainda um monte de serviço pra fazer, disse ele, que ainda não sabia sobre o adiamento do reajuste.
A doméstica Maria Aparecida da Silva, moradora do jardim União da Vitória (zona sul), antecipou a compra dos 50 passes que a família utiliza mensalmente. Meu marido está desempregado e meus três filhos não trabalham. Sou eu que sustento a casa, disse Maria. Fazendo os cálculos, a economia que a família fez comprando passes pelo preço antigo é de R$ 12,50 muito, para quem vive de um salário mínimo. O aumento é um absurdo. Você anda em ônibus lotado e é obrigado a ficar de pé. Pagar mais caro por isso?, reclamou a doméstica.
O anúncio do aumento também desnorteou os tradicionais revendedores de passe, que circulam pelas calçadas do Terminal. Não estamos conseguindo nada, porque o pessoal não está vendendo (passe). Todo mundo está segurando os passes para revender por um preço maior quando a tarifa ficar mais cara, disse o revendedor Paulo Sérgio dos Santos. Ontem, ele havia vendido apenas 30 passes, e no início da tarde já não tinha mais nenhum. Num dia normal, ele costuma vender 200 vales. Quando aumenta (a tarifa), é sempre assim. Essa semana toda, como ficou todo mundo falando do aumento, o movimento foi péssimo, reclamou Joel Pavaro, também revendedor.
Segundo a assessoria da TCGL, logo que se tornou pública a notícia do adiamento do reajuste, vários usuários que estavam na loja da Quintino Bocaiúva foram embora, e o número de clientes no local diminuiu de 500 para cerca de 150 em poucos minutos. No Terminal, até o final da tarde, a fila para a compra de passes continuava grande.


