Psicóloga e coordenadora do Centro POP, Lucinéia Maria Ribeiro defende a necessidade de uma discussão mais ampla acerca da questão dos moradores em situação de, considerando que "99,9% deles fazem uso de substâncias psicoativas". "A cidade de Londrina precisaria fazer um fórum para discutir essa questão. Conversar mesmo sobre a realidade dos moradores de rua", afirma. "A situação deles vai se agravando muito conforme o tempo do uso (das drogas). Eles vão desenvolvendo comportamento agressivo e vai chegar um momento na vida em que eles vão deixar de ser só usuários de psicoativos e vão começar a apresentar transtornos, com delírios e alucinações, e aí vai ser mais complicado para o serviço de assistência social porque o acolhimento não tem estrutura profissional para lidar com pessoas em surto", alerta.

Para Lucinéia, o primeiro passo a ser dado no sentido de solucionar o problema seria inverter a ordem dos serviços oferecidos à população em situação de rua, priorizando a saúde em lugar da assistência social. "A saúde mental precisa se debruçar sobre essa questão e repensar os modelos de atendimento. Enquanto essa porta não se inverter, iniciando os atendimentos pelos serviços de saúde e não de assistência social, muito pouco vamos fazer pela população de rua. Temos poucos recursos para ajudar as pessoas nessa situação. Estamos trabalhando para a manutenção dessas pessoas."

Lucinéia ressalta ainda que a abordagem desse tema não se restringe apenas à questão das pessoas que já estão na rua, uma vez que o problema das drogas também ronda pessoas que têm uma vida estável, com família e emprego. "Tem muitas pessoas que têm uma vida estável e que começam a se envolver com droga e vão para a rua. Tem muitos profissionais que a gente sabe que usam maconha e cocaína, mas ainda dão conta da vida, do trabalho. Mas quando começa a afetar sua vida, com faltas constantes no emprego, que resultam em demissões e que fazem o usuário entrar em um quadro depressivo, aí começa a bola de neve", observa. "Ele vai para a rua, encontra uma pessoa com uma história de vida semelhante e daqui a pouco não volta mais para casa. São essas histórias que a gente ouve no atendimento de psicologia e isso pode acontecer com qualquer um, dependendo das condições que ele tem de lidar com suas questões. Essa é uma luta que a saúde mental deve se apropriar", destacou a psicóloga.

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