Sem repasse, Unioeste pode parar
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quarta-feira, 01 de agosto de 2001
Gilmar Agassi<BR>De Cascavel 
O campus da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), em Cascavel, corre o risco de interromper todas as atividades num prazo de 10 dias, caso o governo do Estado não repasse o complemento das verbas destinadas ao custeio da instituição. Para este ano havia a previsão de gastos de R$ 1,377 milhão com manutenção, mas apenas R$ 374 mil foram repassados. Se o dinheiro que falta não for liberado nos próximos dias a situação da Unioeste deve ficar insustentável.
O diretor do campus de Cascavel, Paulo Wolff, afirma que as atividades deveriam ter sido suspensas em maio, mas graças a algumas economias foi possível continuar trabalhando. Agora não temos outra alternativa caso não chegue o dinheiro. Apenas com fornecedores nossa dívida soma R$ 250 mil. Ele apresentou ontem um relatório com os valores de todos os repasses para a Unioeste nos últimos seis anos e fez um comparativo com outras universidades públicas do Paraná.
Segundo o documento, o orçamento deste ano da Universidade Estadual de Ponta Grossa, que tem 8.024 alunos e 26 cursos de graduação, é de R$ 39,953 milhões. Enquanto isso, a previsão orçamentária da Unioeste, que possui 45 cursos de graduação e 8.710 alunos, fica em R$ 29,7 milhões. É um claro exemplo da discriminação sofrida pela Unioeste. Estamos há cinco anos tentando consolidar nosso campus e até agora os projetos não saíram do papel, reclama o diretor.
Paulo Wolff acrescenta que existe uma deficiência em relação ao número de funcionários do campus de Cascavel. Em 1995, quando foi aprovado o projeto de ampliação, eram 148 funcionários e nove cursos. Atualmente, são 125 servidores distribuídos em 16 cursos de graduação. Todas as atividades já estão prejudicadas. Os funcionários da biblioteca são obrigados a trabalhar das 9 da manhã às 9 da noite. O curso de Odontologia poderia ampliar os atendimentos à população, mas desse jeito as coisas só irão piorar, ressalta.
Wolff acredita que para a consolidação do campus sejam necessários cerca de R$ 10 milhões, para construção de laboratórios destinados aos cursos em implantação e também aquisição de equipamentos e materiais para funcionamento da instituição. Precisamos apenas de um incentivo inicial porque depois a universidade se tornará auto-sustentável, garante.
Ontem de manhã, os alunos do campus de Cascavel fizeram uma manifestação em apoio ao curso de Farmácia, que está em greve há 43 dias porque a falta de infra-estrutura impede as aulas práticas. Representantes do curso se reuniram com o secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahrhafitg, que garantiu a liberação de recursos até o próximo dia 30, para implantar as melhorias necessárias. Segundo o acadêmico Jorge Rigoni Junior, a promessa é do repasse de cerca de R$ 150 mil.
O reitor em exercício da Unioeste, Wilson Iscuissati, reconhece que existem problemas financeiros no campus de Cascavel, decorrentes de uma falha no orçamento estipulado para este ano. Ele diz que a Secretaria de Ensino Superior encaminhou um ofício à Secretaria da Fazenda pedindo a liberação de recursos para o custeio da universidade.


