Sem reformas, motins são cada vez mais frequentes
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sábado, 29 de agosto de 1998
Luciane Tonon 
Depois de muita reivindicação e a custo de algumas rebeliões, a cadeia pública de Cornélio Procópio está passando por reformas. Com um investimento de R$ 40 mil, a reforma está sendo feita em caráter emergencial. Reestruturação da cozinha, pintura geral, instalação de telas no pátio, além de substituição da rede elétrica e reforço de segurança. Porém, o espaço vai continuar pequeno para a quantidade de presos. Atualmente a cadeia abriga 50 presos, quando a capacidade é para 22.
A reforma é necessária, mas precisamos mesmo é de um novo local, diz o delegado da 11ª Subdivisão Policial, José Oliveira Sobrinho. Segundo ele, a cadeia existe desde 1947. Há dois anos a cadeia recebeu reparos, em consequência de uma rebelião. Em 10 anos houve três rebeliões na 11ª SDP, a maior delas em 1992.
Foi através de motins que os presos conseguiram as maiores conquistas. Sem se identificar, eles reclamam da situação caótica em que a cadeia se encontra. Não tem banheiro para as visitas, dá vergonha de trazer a família aqui, disse um deles. As celas não têm ventilação nenhuma. Não dá para saber se estamos numa cela ou num banheiro. A comida é horrorosa, acrescentou outro. Os 50 presos dividem nove celas e um corredor.
A maior queixa é a mesma da maioria dos presos do Estado: a demora da Justiça em transferir os presos já condenados. Este foi o motivo da rebelião ocorrida no dia 8 deste mês na delegacia de Santo Antônio da Platina, quando os 30 presos mantiveram como reféns, o carcereiro e três menores, durante três horas. Na mesma semana, eles cavaram um túnel de quatro metros de comprimento. No último domingo, três pessoas armadas invadiram a delegacia libertando 13 presos.
Jacarezinho Apesar da superlotação, os presos da delegacia de Jacarezinho tentam conviver organizadamente. A delegacia tem capacidade para 35 e está com 50 presos. Estamos sempre improvisando melhorias para não chegar a uma situação caótica, disse o delegado Arnaldo Abujamra. Segundo ele, é necessário fazer com urgência reformas na parte elétrica, hidráulica e uma sala de identificação à parte do sistema carcerário.
Procuramos resolver juntos todos os problemas. O carcereiro é um pai para a gente, disse o preso Nestor Pereira da Silva, que cumpre pena por tráfico. A comida vem em marmitex separados, com variedades de mistura e bastante sabor, comentou o preso Pedro Dalgizo da Silva. Ele está preso há quatro anos por homicídio. Já recebi ordem para cumprir em sistema semi-aberto, mas ainda não me transferiram.
A delegacia de Jacarezinho abriga ainda o Instituto Médico Legal (IML), que segundo o delegado, é considerado modelo na região. O IML possui uma geladeira de quatro compartimentos, ambulância própria e todos os equipamentos necessários para autópsias.
O juiz de Jacarezinho, Antônio Carlos Choma, aponta a falta de vagas, como o maior problema das delegacias do Estado. O que falta no Paraná são presídios. Desde 1940, exceção de Maringá e Londrina, que não se constroem presídios no Estado, disse. Segundo ele, a falta de vagas prejudica, inclusive, a aplicação de penas.
O tráfico de drogas, exemplifica Choma, ocupa uma vaga por 10 anos. Pelo fato de sabermos da situação das cadeias, repensamos a pena. Temos milhares de mandados a ser cumpridos no Estado e não tem onde pôr os réus, afirmou. De 1940 para cá, a população aumentou, o desemprego cresceu e é evidente que o índice de criminalidade também aumentou. Por que não se investiu em presídios até hoje?, questiona.


