Sem recursos, Saúde de Londrina fecha o ano em deficit
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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Tatiana Ribeiro/ Redação FolhaWeb 
A saúde em Londrina fecha o ano de 2011 em deficit com a população. Filas inacabáveis, falta de leitos e ameaça de fechamento dos pronto socorros formaram o caos que o londrinense enfrentou durante o ano. A gota d'água, porém, foram os escândalos envolvendo o prefeito Barbosa Neto (PDT) em possíveis desvios no dinheiro da saúde.
A sensação de desamparo em questões básicas se refletiu em uma população à beira de um ataque de nervos. Em julho, um jovem de 20 anos foi preso após destruir a recepção do Hospital Universitário (HU) com um extintor. O motivo, alegou o rapaz, foi ter chegado ao seu "limite" após horas esperando por atendimento. De acordo com a classificação de riscos da instituição, o caso dele não era uma emergência e, por isso, outros pacientes tiveram atendimento preferencial.
Mas o fato não é isolado. Em março, uma mulher também se irritou com o longo período de espera por atendimento no Pronto Atendimento Municipal (PAM) e tirou a roupa em forma de protesto. Em outubro, a mesma situação causou a ira de um paciente na fila de espera do HU, que atirou uma cadeira de rodas contra uma janela de vidro do hospital.
A superintendente do HU, Margarida de Carvalho, explicou que a equipe tem se esforçado para atender a demanda, mas muitos problemas de superlotação são reflexos da pouca integração entre outras unidades que deveriam fazer o atendimento direto da população.
"O HU é um hospital referencial, ou seja, deveria atender somente pacientes emergenciais ou encaminhados pelas unidades da rede", esclarece. As redes são formadas pelas Unidades Básicas de Sáude (UBS), pelo Pronto Atendimento Municipal (PAM) e pelos Programas de Saúde da Família, da Mulher, do Idoso, entre outros.
Segundo Margarida, apesar dessas redes já estarem em funcionamento, elas ainda não estão interligadas. "A população não se sentindo atendida acaba nos procurando, o que sobrecarrega nossos serviços."
Margarida, aponta a limitação de recursos como o principal desafio enfrentando pela equipe do HU durante 2011. "O teto está defasado, precisamos aumentá-lo para atender a demanda e fazer a cobertura de tratamentos de alta complexidade, como cirurgias e transplantes."
Durante todo o ano, a equipe do HU realizou 11.167 internações e 8.304 cirurgias, uma média de quase 700 procedimentos por mês. Vinte e duas pessoas receberam transplante de medula óssea e, em oito meses de funcionamento, o Banco de Olhos da instituição já zerou a fila de espera de Curitiba. Foram 126 doações de olhos e 120 transplantes realizados.
Apesar do orçamento apertado, a superintendente destaca a importância do trabalho dos voluntários que auxiliam a Casa de Apoio do HU, que abriga pacientes e familiares de outras cidades que precisam ficar na região para se tratar. "A população pode se unir e apoiar mais essa causa", salienta.
Impasse Judicial
O ano de 2011 também foi marcado pelos impasses judiciais envolvendo o pagamento de plantões presenciais pela prefeitura municipal de Londrina aos pronto socorros dos hospitais Evangélico e Santa Casa.
De acordo com o interventor judicial do HE, Luiz Soares Koury, os cerca de R$ 200 mil em recursos repassados pela prefeitura mensalmente, através de contrato para pagamento dos médicos plantonistas, foram suspensos de maio a setembro deste ano. O corte gerou déficit, ameaça de greve dos especialistas e fechamento dos prontos socorros.
Para o diretor-superintendente da Santa Casa, Fahd Haddad, o ano de 2011 também foi marcado pelas dificuldades nas negociações com o poder público municipal. "Fazemos mais procedimentos do que recebemos. Faz tempo que pedimos para aumentar o nosso teto. Temos pressão, mas não temos dinheiro", desabafa.
Apesar das dificuldades, boas novas aguardam a equipe da Santa Casa em 2012. O hospital deve receber no próximo ano R$ 20 milhões em recursos do Ministério da Saúde. De acordo com Haddad, a Irmandade vai utilizar a verba para a reforma de ampliação do novo prédio, que será inaugurado no próximo ano. As obras preveem a criação de 200 leitos e a contratação de 800 novos funcionários.


