Sem recursos, Adevilon pode fechar
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de março de 2013
Fernanda Carreira<br>Reportagem Local 
Após sofrer um acidente vascular cerebral, em 2005, o pintor Jair Domingos da Silva, de 55 anos, perdeu totalmente a visão e precisou aprender a se virar em mundo escuro que até então ele não conhecia. Ele teve que se acostumar a executar as pequenas tarefas do dia a dia, como caminhar sem trombar em nenhum objeto, até resolver os problemas mais sérios. A adaptação a essa nova realidade não foi nada fácil, mas foi com o apoio de voluntários e colegas da Associação de Deficientes Visuais de Londrina e Região (Adevilon), que o pintor descobriu novas habilidades e hoje supera com bom humor os desafios que a vida lhe traz.
Assim como Silva, dezenas de pessoas encontraram na entidade uma segunda família e uma oportunidade para seguir em frente. No entanto, esse trabalho filantrópico tão importante para a região de Londrina pode estar com os dias contados. Isso porque, segundo o presidente da Adevilon, Nilton Martins dos Santos, a entidade não possui recursos suficientes para a manutenção. A despesa mensal da Adevilon é de cerca de R$ 3 mil e, ultimamente, a única ajuda vem de pequenas doações voluntárias.
"O recurso mal dá para cobrir o gasto com o aluguel. Estamos bastante preocupados, porque desse jeito vai ser difícil retomarmos as atividades e talvez teremos que fechar. Temos feito promoções e pedido ajuda de empresas, mas o que temos recebido ainda não é suficiente", destaca o presidente da associação. Ele acrescenta que a entidade tem inclusive um terreno subsidiado pela prefeitura, onde poderia ser construída a sede, mas a falta de recursos impossibilita o início das obras. "Enquanto isso, continuamos pagando aluguel pela casa", salienta.
Fundada em 1996, a Adevilon atende 200 pessoas com idade a partir dos 18 anos, nos períodos da manhã e tarde. Os associados são de vários bairros de Londrina e de outros municípios, como Cambé, Ibiporã, Apucarana, Maringá e Sarandi.
Antes de serem paralisadas pela falta de recursos, os associados participavam de atividades como aulas de informática, teatro, literatura, dança e música, além de oficinas de culinária e artesanato. As atividades começavam às 9 horas e seguiam até as 18 horas, sem nenhum custo para os associados.
"É angustiante saber que a associação que tem um papel tão importante na nossa vida corre o risco de fechar. Foi com a ajuda deles que eu consegui retomar minha vida, depois de ter perdido completamente a visão", conta o ex-comerciante Flávio Cordeiro da Silva, de 56 anos, morador da Vila Casoni (área central). Silva descobriu que tinha glaucoma aos 15 anos e perdeu completamente a visão aos 25 anos. Em 1998, ele conheceu a associação e passou a frequentar, semanalmente, a Adevilon com a esposa, Geniziete Francisco do Nascimento, de 36 anos, que também é deficiente visual.
"Eu fazia curso de culinária e ele dava aula de artesanato. Adorávamos participar, porque é uma forma de aprendermos atividades, fazer amigos, compartilharmos nossas dificuldade e superações, enfim, nos sentirmos incluídos em um grupo, já que na sociedade ainda há muito para avançar", enfatiza Geniziete.
No caso do pintor, foram as aulas de informática que o fizeram a retomar o interesse pelo conhecimento e descobrir a habilidade com o computador. Com as aulas paralisadas, ele lamenta a interrupção no aprendizado e do sonho que tinha em, futuramente, se qualificar para um outro trabalho. "Já perdi a visão, se tirarem a associação e tudo o que ela oferece seria como cortar também meus braços e meus sonhos", completou, emocionado.
Convênio
Até 2011, a Adevilon recebia um repasse mensal da prefeitura, com quem a entidade mantinha um convênio. No entanto, no segundo semestre daquele ano, a entidade deixou de apresentar a proposta de trabalho e firmar convênio para 2012, segundo informações da secretária municipal de Assistência Social, Telcia Oliveira. Com isso, o recurso foi suspenso. Telcia esclareceu que a secretaria está à disposição da entidade para que uma nova proposta seja apresentada neste segundo semestre e a Adevilon volte a receber o recurso.
Serviço:
Quem puder ajudar a Associação dos Deficientes Visuais de Londrina e Região pode ligar para (43) 3329-8143. A Adevilon fica na Rua Domingos Antonio Marroni, 577.


