Sem receber, zeladora passa a morar no IML
Sid Sauer
De Campo Mourão
Sem receber salário há quatro meses, a zeladora do Instituto Médico-Legal (IML) de Campo Mourão, Sebastiana Valdenira Menck Cabral, 47 anos, está há cerca de um mês morando no prédio do órgão. A cantina do Instituto de Identificação, que fica no mesmo prédio, foi transformada em cozinha e ela usa como quarto uma sala vazia no 1º andar. Não ligo em morar aqui, diz. Ruim é ficar sem receber e não ter como pagar as contas. Ela não permitiu ser fotografada.
Sebastiana trabalha no IML há quase cinco anos. Ela é funcionária da empresa Sisg - Sistema de Serviços Gerais Ltda, de Londrina, que presta serviços para a Secretaria de Estado da Segurança Pública desde janeiro. Sem salário mensal de R$ 230,00, ela resolveu ir morar no IML como medida de economia.
A zeladora tem casa própria em Peabiru (12 km ao norte de Campo Mourão) que foi alugada por R$ 100,00. Esse dinheiro vai me ajudar a viver enquanto não recebo, explica.
A Sisg rescindiu o contrato com o governo do Estado e demitiu vários funcionários. O aviso prévio de Sebastiana, por exemplo, venceu na sexta-feira. Mas vou continuar trabalhando, ressalta. Ela tem esperança de ser contratada por uma nova empresa que venha a assumir o serviço terceirizado.
Apesar de ser registrada como zeladora, Sebastiana acaba fazendo outras tarefas no IML, uma vez que, além dela, apenas o auxiliar de necrópsia, Milton Scheibel, dá expediente no local. As duas funerárias de Campo Mourão pagam o salário de um dos dois médicos legistas.
O dono da Sisg, Reinaldo de Almeida Andrade, disse ontem que pediu a rescisão de contrato no dia 2 de julho porque a situação teria ficado insustentável. Não recebo nada desde abril, queixa-se. Ele admite voltar com o serviço somente se o governo do Estado pagar todos os atrasados de uma vez. A Sisg tinha 23 funcionários trabalhando em IMLs de 12 cidades do interior. O aviso já venceu e a partir de hoje (ontem) ninguém deve trabalhar mais, ressalta.





