Vários funcionários de quatro unidades penitenciárias de Piraquara e Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba, não conseguiram trabalhar ontem de manhã. A empresa contratada pela Secretaria de Segurança Pública do Estado para fazer o transporte do pessoal decidiu suspender o serviço, depois de cinco meses de atraso nos pagamentos.
O governo do Estado deve R$ 85 mil à Rimatur Turismo, de acordo com o supervisor comercial da empresa, Lindomar Malheiros. A secretaria de Segurança admitiu a dívida e informou, pela de sua assessoria, que efetuará
o pagamento e abrirá amanhã mesmo licitação para contratação de nova empresa para o transporte dos funcionários.
Até que a situação seja regularizada, os funcionários devem ser transportados, de acordo com a secretaria, por veículos disponíveis no Departamento Penitenciário (Depen). Os servidores, no entanto, não sabem como a secretaria pretende fazer esse trabalho, já que sua frota de ônibus estaria sucateada. ‘‘Eles liberaram um ônibus que não tem condição de trafegar’’, dizia a telefonista Roseli Santos, que trabalha na Penitenciária Central do Estado (PCE) e acabou sendo liberada do serviço ontem. ‘‘Ninguém sabe se o ônibus vai conseguir chegar em Piraquara’’, afirmava outro empregado enquanto esperava o momento de embarcar.
A suspensão do transporte pela empresa acabou pegando de surpresa os cerca de 170 funcionários que usam o serviço para ir àPenitenciária Central do Estado (PCE), Colônia Penal Agrícola e Penitenciária Feminina, em Piraquara, e Complexo Médico Penal, em Quatro Barras. Só depois de esperar por mais de uma hora no local os funcionários ficaram sabendo que os ônibus não seriam enviados. A secretaria de Segurança acabou improvisando, com o uso de uma kombi do Depen e um ônibus da PCE para levar os empregados.
Sem lugar para todos, a orientação dada pelo Sindicato dos Agentes Penitenciários era para dar prioridade aos agentes penitenciários e funcionários que trocariam plantão com outros, que trabalharam à noite nas unidades. Muitos servidores administrativos acabaram sendo liberados do trabalho por falta de condução.
De acordo com Malheiros, a Rimatur vem negociando o pagamento dos atrasados com o governo desde o final do ano passado. O governo pagou dois meses em atraso este ano, mas ainda estão pendentes os repasses desde janeiro. ‘‘Chegou uma hora em que não dava mais para trabalhar sem receber’’, disse Malheiros.
Segundo ele, a empresa já havia alertado o governo sobre a intenção de não continuar com o transporte, em correspondência protocolada na secretaria no último dia 11. Na carta, a Rimatur deu prazo para as negociações até dia 13. ‘‘Não tivémos nenhum retorno, ainda esperamos mais uns dias e decidimos suspender o transporte’’, afirmou.
A Rimatur mantinha quatro ônibus fazendo o trajeto de ida e volta aos dois municípios da Região Metropolitana, duas vezes por dia, ao preço de R$ 17 mil por mês.

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