Sem reajuste, professores encerram greve
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sábado, 17 de junho de 2000
Michele Muller De Curitiba 
Os professores estaduais decidiram ontem, em assembléia realizada em Curitiba, suspender a greve da categoria, que já durava 26 dias. A assembléia, realizada pela manhã, no Colégio Estadual, reuniu cerca de 5 mil pessoas. Cerca de 70% dos presentes votaram a favor do fim da paralisação. As aulas serão retomadas amanhã nas 2.160 escolas da rede estadual, que atendem 800 mil estudantes.
Até anteontem à noite, o sindicato da categoria (APP-Sindicato) posicionava-se contra o fim da greve. Segundo o presidente da APP, Romeu Gomes de Miranda, um fax enviado pela secretária da Educação, Alcyone Saliba, perto das 19 horas, foi decisivo para que a entidade mudasse de posicionamento. O documento garantiu a conquista de alguns benefícios, como a volta do concurso público não vinculado ao ParanáEducação. O governo também concordou com o aumento do vale-alimentação de R$ 30,00 para R$ 50,00, para quem ganha até dois salários mínimos, e a concessão de vale-transporte para quem ganha até três mínimos.
Outra oferta do governo foi a elevação de dois níveis na carreira, o que significa um aumento de 8% no salário de cerca de 12,4 mil dos 50 mil professores estaduais. A categoria conquistou ainda a eleição direta para diretores e a implantação da hora-atividade, passando a trabalhar oito horas a menos por semana em sala de aula e recebendo pelo tempo de preparação das aulas.
Para não aumentar os gastos do Estado com o pagamento de salários, deve haver um remanejamento de funcionários para que esses 20% da carga horária sejam preenchidos sem novos gastos. Uma das possibilidades é fazer com que professores que trabalham nas secratarias ou outros setores das escolas voltem para as salas de aula.
A secretária Alcyone Saliba disse à Folha que as negocições entre sindicalistas e o governo vão continuar. O reajuste salarial de 41,14% exigido pelos prefessores será discutido nos próximos encontros. Miranda anunciou que, se o reajuste não for conquistado até o dia 30 de agosto, quando haverá nova assembléia, os professores retomarão a greve.
As barracas que abrigavam os grevistas acampados no Palácio Iguaçu foram desmontadas logo após a assembléia. Miranda afirmou que os alunos não terão as férias prejudicadas por causa da greve. Ele sugere que as escolas contem as semanas culturais e esportivas das férias como dias letivos.


