Depois de muita polêmica - que envolveu a participação de travestis no desfile - a escola de samba Quilombo dos Palmares ganhou o troféu de campeã do Carnaval 98 de Londrina.
O resultado definitivo veio depois de muito bate-boca. Navegantes do Mar Azul e Unidos do Jardim do Sol haviam decidido recorrer do resultado ontem pela manhã. As duas escolas foram respectivamente segunda e terceira colocadas, de acordo com a apuração divulgada pela Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) ontem pela manhã, no ginásio de esportes Moringão (centro da Cidade). Segundo as duas escolas, a Quilombo infringiu o regulamento ao permitir que travestis desfilassem na Ala das Baianas.
O recurso das escolas deu em nada. No final da tarde, a Codel confirmou o resultado da apuração feita pela manhã, depois de consultar a assessoria jurídica da companhia. A alegação do assessor José Walmir Moro é a seguinte: o regulamento do desfile prevê proibições, ‘‘mas não prevê recursos das escolas’’. Portanto, a decisão dos jurados é soberana, segundo a Codel.
A Quilombo dos Palmares recebeu 86,25 dos jurados e a Navegantes somou 85,75. Em terceiro lugar ficou a Unidos do Jardim do Sol (84,25) e em último a União da Vila (74).
Até 1994, quando foi realizado o último Carnaval competitivo em Londrina, não havia nada que proibisse a participação de travestis em qualquer das alas das escolas de samba. Para este ano, no entanto, as escolas e a Codel decidiram adotar o mesmo regulamento do Carnaval carioca.
O presidente da Navegantes do Mar Azul, Jaime Santo da Silva, argumentou que o regulamento determina que a ala só pode ser composta por mulheres por ser ‘‘tradicional’’. A Navegantes foi a campeã em 94.
A reclamação da Navegantes contra a suposta presença de travestis na Quilombo encontrou apoio da escola Unidos do Jardim do Sol, que se disse injustiçada com as avaliações dos jurados..
A única que não quis apresentar recurso foi a União da Villa, primeira escola a desfilar na avenida e última colocada na avaliação dos jurados. Mesmo sem tentativa de recursos, os integrantes da escola ficaram decepcionados com o critério do júri. Os carnavalescos Ednart Rodrigues e Elivelton Paes, da União da Villa, reclamaram das notas recebidas. ‘‘Os jurados votaram nos nomes das escolas, não na apresentação na avenida. Nós levantamos o público e, na boca do povo que estava na avenida, nossa escola foi a mais bonita’’, afirmam.
Mesmo assim, os dirigentes da União da Villa adiantam que a escola não iria apresentar recurso. ‘‘Em 99 a escola vai estar ainda melhor. Só esperamos que a Codel coloque gente mais capacitada para julgar.’’

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