Sem prazo para reformar passarela
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terça-feira, 26 de abril de 2016
Simoni Saris<br>Reportagem Local 
Quase nove meses após a interdição da passarela sobre a Rodovia Carlos João Strass (zona norte de Londrina), o Departamento de Estradas de Rodagem no Paraná (DER-PR) ainda não tem ideia de quando o problema será resolvido. O órgão está com dificuldades para contratar a empresa responsável pela obra de reparo da estrutura, danificada em 14 de agosto do ano passado, ao ser atingida por um caminhão. No acidente, parte do piso caiu, inviabilizando o acesso de pedestres. A passagem de veículos sob a passarela também foi bloqueada. Os moradores da região reclamam da demora em solucionar o problema. Sem a passarela, atravessar a rodovia tornou-se um risco à vida.
A dona de casa Zilda Ramos dos Santos mora no Conjunto Sebastião de Mello César e é obrigada a fazer uma longa volta para atravessar a rodovia em segurança sempre que precisa ir até o Jardim Belleville, o bairro vizinho localizado do lado oposto da rodovia. "Não tem outro jeito. Sem a passarela, eu tenho que andar bem mais. Não é muito seguro, mas é só saber atravessar", disse ela, que nem espera pela obra de reconstrução da estrutura. "Está demorando muito tempo para consertarem a passarela e acho que vai levar muito mais tempo ainda."
"Eu sempre usava a passarela, mas agora tem que cruzar lá na frente para poder atravessar com cuidado", disse o carpinteiro Joraci Tomás, que mora no Jardim Belleville, mas depende de muitos serviços que só encontra do outro lado da rodovia. "É uma obra muito importante para a região. Todo mundo daqui usava a passarela."
Ilza Augusto de Oliveira mora no Conjunto Violim, mas muitos serviços essenciais, como banco e supermercado, estão do outro lado da rodovia. Para ir e vir sem andar muito mais do que o necessário, ela costuma atravessar a pista próximo à curva sob a passarela e depois sobe um barranco para chegar até o outro lado. "Eu acho horrível essa situação. Já deveriam ter arrumado isso aqui há muito tempo. A passarela faz muita falta."
Para a dona de casa Clarice de Almeida dos Santos, a interdição da passarela trouxe um problema tão grave quanto o risco de atropelamentos: as drogas. Ela conta que sem poder ser utilizada por pedestres, a estrutura ociosa acabou virando ponto de uso de drogas. "Já vi crianças pequenas aqui usando droga. Fiquei chocada. É uma situação com a qual me preocupo bastante."
LICITAÇÃO
Segundo a assessoria de imprensa do DER-PR, em outubro passado foi aberto edital de licitação para contratar a empresa responsável pela execução do projeto de reparo da passarela, mas não houve interessados. Em janeiro foi feita uma segunda tentativa, mas novamente nenhuma empresa entrou na concorrência. O órgão de trânsito, então, enviou cartas-convite a empresas da região, mas não obteve sucesso. As quatro empresas consultadas não tinham experiência nesse tipo de obra nem engenheiro capacitado para o serviço, que envolve técnicas de concreto e estruturas metálicas. O DER segue tentando encontrar uma empresa no Paraná que atenda aos pré-requisitos necessários para assumir a obra.
A passarela foi inaugurada em 2006 com uma falha de projeto. A altura, de 4,7 metros, está abaixo do estabelecido pela norma de diretrizes básicas para elaboração de estudos e projetos rodoviários do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER). Em quase uma década, quatro acidentes foram registrados, além de várias outras batidas de veículos, que comprometeram a segurança da estrutura.
Na reforma, está prevista a elevação da passarela em 80 centímetros, chegando a 5,5 metros de altura. A obra está orçada em R$ 427 mil e deve levar cerca de 120 dias para ser concluída.
A reportagem tentou falar com o superintendente regional do DER-PR, José Ferreira Heidegger, mas ele não foi localizado.


