Há dez anos o professor de língua portuguesa, Nozor Belt Sazar Rodrigues, trabalha no Colégio Estadual Professor José Carlos Pinotti, no Jardim dos Pássaros (Zona Norte de Londrina). Ele mora no Jardim Imagawa, também na Zona Norte, que fica do outro lado do Ribeirão Lindóia. Para chegar ao colégio é preciso atravessar uma pequena ponte e andar cerca de 800 metros pela Rua Valdomiro Pistum, que não tem iluminação, sinalização e nem calçadas na maior parte do trecho. Para piorar, o caminho é cheio de lixo e os carros trafegam em alta velocidade.
Para o professor, o caminho é motivo de tristeza, pois há muitos anos a situação vivida por ele e por outros moradores da região é a mesma. ''Já sofri muito porque gostaria de ter um lugar agradável perto da minha casa e do meu trabalho. Fico triste porque a gente vê que dá para fazer uma calçada, colocar poste, é só querer. Mas entra ano e sai ano e nada muda'', lamentou.
Rodrigues afirmou que pela manhã o movimento de veículos é intenso, colocando em risco a integridade dos alunos. Já à noite a insegurança fica por conta da falta de luz e do mato alto. ''Fico preocupado com os alunos, principalmente com os mais novos'', disse.
Esta preocupação também faz parte do cotidiano da diretora do colégio. Evelise Bueno disse que a situação ficou ainda mais difícil por conta da forte chuva do último final de semana, que destruiu as duas pontes que faziam a ligação entre os bairros. ''Agora os alunos precisam andar cerca de quatro quilômetros a mais para chegar até a escola'', contou.
A diretora lembrou que há mais de dez anos a escola pede ao poder público municipal que uma providência seja tomada na região. ''Mais da metade dos nossos alunos precisam usar a ponte, entre os do período noturno este número é ainda maior'', disse. Conforme Evelise, alunas de dez anos já foram assediadas no trajeto até a ponte. ''Muitos pais ficam lá esperando as filhas. Temos medo de que alguma coisa aconteça, é muito inseguro'', destacou.
A diretora disse que não basta fazer uma reforma na ponte. ''Precisamos que seja feita uma urbanização adequada aqui. É necessário estruturar o ambiente todo. Não adianta refazer a 'pontinha' e os usuários continuarem sem o mínimo de segurança'', desabafou. Além dos alunos e professores, passam pela ponte moradores dos vários bairros interligados.
Urgente
De acordo com a professora Suryléia Ferreira Prante a questão é urgente porque sem a ponte, os alunos precisam dar a volta pela avenida e chegam suados e cansados em sala de aula. ''Nós não temos como exigir demais de um aluno assim. A situação está interferindo na qualidade da educação, por isso é urgente'', destacou.
A dona de casa Mirian Silva da Conceição mora próximo a ponte e sente que a situação de abandono total e a falta de atenção do poder público está facilitando o aparecimento de outros problemas. ''Aqui tem umito tráfico de drogas. Eles aproveitam o matagal e a escuridão para fazer tudo que tem de errado'', contou. Ela disse que quando precisa ir para o outro lado do rio dá a volta pela avenida. ''Ando muito mais, mas é mais seguro. Tenho medo de passar aqui.''

Sem ponte, sem iluminação e sem segurança
Sem ponte, sem iluminação e sem segurança Sem ponte, sem iluminação e sem segurança Sem ponte, sem iluminação e sem segurança

mockup