A falta de policiais fez com que este ano, a Polícia Militar não fizesse em Curitiba a tradicional homenagem a Tiradentes, com a participação da banda e o hasteamento da bandeira nacional. A determinação para o cancelamento da cerimônia foi feita pelo secretário de Estado da Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira. ‘‘Não tínhamos homens para isso e nem recursos para gastar com a homenagem’’, explicou ele.
De acordo com Oliveira, para a solenidade teriam de ser deslocados 200 policiais militares, além de cadetes e da Banda da Polícia Militar. ‘‘Achamos que o efetivo não deveria ser retirado das ruas’’, disse.
Manifesto - Sem a comemoração, a Praça Tiradentes, no centro da cidade, foi palco ontem de um protesto do ex-sargento da Polícia Militar, Alaor Fagundes, de 40 anos. Ele acampou pela manhã na praça para iniciar uma campanha pela unificação e municipalização das polícias Militar e Civil.
Com uma faixa ele pedia uma polícia ‘‘unificada, municipalizada, qualificada e digna’’. Fagundes disse que serviu à Polícia Militar por 13 anos e pediu afastamento por não concordar com a atuação dos militares e dos civis no Estado. ‘‘Fui preso várias vezes por questionar a polícia’’, afirmou.
O ex-sargento da PM argumentou que a união das polícias em todo o País criaria uma identidade para as corporações e seria mais fácil identificar os culpados pela criminalidade. ‘‘Não teríamos mais aquela guerra velada entre policiais militares e civis, e seria muito mais fácil identificar os problemas na corporação’’, disse ele. Fagundes defende também que os municípios sejam responsáveis pela polícia e possam destituir um comando quando a população não estiver sendo bem atendida.
O secretário estadual da Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, disse ontem que é a favor da unificação das polícias, mas afirmou que ela está longe de virar realidade no Brasil. ‘‘Não temos como fazer a unificação somente no Paraná, é necessária uma reforma na legislação’’, salientou.
Por ora, o secretário disse que está fazendo a integração das polícias militar e civil nas diversas atividades distritais. ‘‘As duas polícias estão se unindo e até estão andando nas mesmas viaturas’’, comemorou.

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