Sem poder trabalhar, José teme perder o emprego
José (nome fictício), 41 anos, trabalha como motorista há 13 anos. Há sete transporta passageiros do Conjunto Vivi Xavier, na Zona Norte, até o Centro de Londrina. Por problemas neurológicos ele teve de se afastar do serviço duas vezes. Da primeira vez, permaneceu de licença por dois anos e 40 dias. ''Voltei e trabalhei por 23 dias até sofrer um desmaio e ser afastado de novo. Já estou parado há um ano'', conta.
O diagnóstico médico apontou síndrome do pânico, labirintite e convulsão. Os primeiros sintomas, segundo José, surgiram em 2004, quando ele caiu durante o banho e foi detectado um começo de derrame. ''Fiquei cinco dias de licença e oito dias depois de voltar a trabalhar, caí no ônibus.''
Dias depois, durante um percurso até o Terminal Urbano, ele precisou parar o veículo. ''Não andei nem 50 metros. Sorte que consegui frear antes de desmaiar'', recorda. Levado ao Hospital da Zona Norte, José foi alertado pelos plantonistas a procurar um neurologista. ''No dia, o médico da empresa me liberou para voltar ao trabalho, mas o chefe da Cipa não deixou.''
Mesmo os exames não tendo apontado nenhuma alteração neurológica, o motorista vive à base de remédios controlados. Só consegue dormir com ajuda da medicação e foi proibido de dirigir, inclusive seu próprio carro. Numa entrevista com a assistente social do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), José descobriu que a empresa pode realocá-lo numa função diferente para que ele não perca o emprego.
''A psicóloga da empresa disse que eu ganho pelo cargo de motorista e que eu tenho que ficar bom para voltar para a minha função, mesmo eu não podendo mais dirigir.'' Pressionado pelo INSS para retornar ao trabalho, o motorista não sabe o que acontecerá quando a licença acabar, no próximo dia 27.
''Nunca tive problemas com passageiros ou companheiros de trabalho porque na nossa profissão não pode desabafar. Tem que engolir tudo, porque a prioridade é o passageiro.'' (M.G.)





