Sem perícia, suspeitos de crime são liberados
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sábado, 06 de setembro de 2003
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
A recusa do Instituto de Criminalística de Londrina em realizar exame residuográfico em acusados de um tiroteio pode dificultar a identificação dos culpados. A troca de tiros ocorreu por volta da zero hora de ontem, num bar no Parque Ouro Verde, zona norte da cidade, e deixou três pessoas feridas.
Segundo o boletim da Polícia Militar, foram feridos Alessandro Nascimento, 23 anos, que levou um tiro na coxa esquerda, e os menores V.C.M.J. 17 anos, com uma perfuração no antebraço, e C.S.M., 14 anos, ferido nas nádegas. Eles contaram aos policiais que foram atingidos por disparos feitos pelos ocupantes de uma caminhonete S-10. No local a polícia apreendeu três cápsulas e um projétil de revólver.
Testemunhas disseram que no veículo estavam o empreiteiro Domingos Aparecido de Deus, 49 anos, e seu filho Clauvinei Aparecido de Deus, 31 anos. Eles foram encontrados pelos policiais na casa deles, na zona oeste e não portavam armas. No entanto, o delegado Eduardo Cabral Junior informou que haviam perfurações de bala na caminhonete. Segundo a versão dos acusados, que negaram o crime, eles teriam sido perseguidos na saída do bar por rapazes que estavam em uma moto.
A Criminalística foi chamada para realizar o exame nas mãos dos acusados. O perito de plantão, de acordo com o delegado Cabral, disse que o exame não poderia ser feito naquele horário porque não havia material disponível. Ele pediu que o delegado deixasse a coleta de material para a manhã do sábado, pois urgência no exame só em caso de homícidio. ''É lamentável a atitude do perito diante da necessidade de um exame tão importante'', reclamou o delegado. Para o delegado Cabral, o exame residuográfico é um procedimento simples, barato, e pode ser feito até mesmo com um tipo de fita adesiva.
Domingos e Clauvinei foram liberados por falta de comprovação de culpa. As investigações deverão ser conduzidas pelo delegado do 5º Distrito Policial, José Arnaldo Peron.
O chefe adjunto do Instituto de Criminalística, Geraldo Gonçalves de Oliveira Filho, confirmou que o órgão não tem o produto químico utilizado para o exame residuográfico. Ao contrário da afirmação do delegado Cabral, Oliveira Filho disse que o exame não é barato e o produto não é encontrado na cidade. O teste, segundo ele, é um recurso de uso interno da Criminalística quando há dúvidas por parte da perícia. Reações químicas podem provocar resultados ''falso-positivos''. É preciso, segundo ele, a análise de um bioquímico. Como o instituto só possui um profissional com essa graduação, ele só atua em locais de morte.
Ainda de acordo com o chefe da Criminalística, o fato de não ter sido encontrado o revólver também impossibilita a realização do teste. ''Há tipos de armas, como as pistolas, que não deixam vestígios'', garantiu. Existem outros fatores que interferem no resultado, por isso, Oliveira Filho afirma que o exame só pode ser feito para instrução de peritos e ''não para autoridades policiais''. Dependendo do metabolismo da pessoa o teste residuográfico pode ser feito até dois dias depois da ocorrência, pois os resíduos retirados para análise ficam acumulados nas camadas internas da pele.


