De graça, nem relógio trabalha. O ditado popular agora concretizou-se no Centro de Londrina. O ''Relojão'', que fica no topo do Edifício América, está parado há dias. O problema é a falta de manutenção e de dinheiro para consertar o equipamento. Desde a mudança de proprietário e do fim do contrato de patrocínio, o novo dono está estudando uma forma de cobrir os custos para manter os ponteiros em dia.
O custo de manutenção gira em torno de R$ 5 mil, incluindo as despesas de condomínio e energia. O dinheiro da Sercomtel, antiga patrocinadora, não era suficiente nem para cobrir os custos. ''Na verdade, só é viável investir no que dá retorno. Se não traz retorno, é custo'', explica o comerciante Yuseef Zebian, atual proprietário.
De acordo com ele, só com uma nova parceria ou com publicidade seria possível reativar o relógio. Zebian explica que para ele é inviável bancar todos os custos do Relojão. Ainda mais agora que o motor apresentou defeito.
O conserto poderia ser feito pelo relojoeiro Ueda Tetsuo, 70 anos, responsável pela manutenção do equipamento há três décadas e meia. Especialista em relógio ponto e industrial, o profissional até fez estágio na empresa fabricante, em São Paulo, para lidar com o Relojão.
Ele explicou que o desgaste de peças como a bobina provocou a parada. O conserto deve custar R$ 260,00. Enquanto não ocorre uma decisão para colocar o Relojão de novo em funcionamento, Tetsuo vai se acostumando a ouvir as cobranças. ''Muita gente sabe que sou eu quem cuida e me cobra por não estar funcionando'', declarou.
A manutenção mensal custa R$ 240,00. Os consertos complexos são mais raros. Cerca de dois anos atrás, a necessidade de reparo exigiu a retirada do ponteiro dos minutos. Como a peça mede 3,40 metros, foi necessária descê-la pela escada, por não caber no elevador. A estrutura completa mede seis por seis metros. O relógio foi construído junto com o prédio, em 1958, pelo extinto Banco América.

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