Sem parar de estudar e aprender
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sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Carolina Gabardo Belo<br>Equipe da Folha 
Considerada uma parceira das educadoras do Hospital Pequeno Príncipe, a adolescente Beatriz Regina de Paula Teixeira, 15, realiza tratamentos na instituição desde os sete anos de idade por conta de problemas renais. Antes e depois de seu transplante de rim, ela passa períodos longos internada no local e, conseqüentemente, fora da escola. Para evitar que Beatriz e os aproximadamente 700 crianças e adolescentes que passam pelo hospital fiquem afastadas da atividade escolar, existe o Setor de Educação e Cultura, que comemorou ontem 20 anos.
Uma equipe de 14 educadores -disponibilizados por uma parceria com as secretarias municipal e estadual de Educação- e contrados pelo próprio hospital, realiza atividades educativas com os pacientes. "Queremos integrar da melhor maneira possível os interesses da criança e expandir para a sua vida, seu conhecimento e sua curiosidade. Por isso, trabalhamos com o conhecimento, com o prazer da descoberta, que acontece em parceria", explica a educadora Maria Gloss.
Enquanto fica internada, Beatriz diz que sente saudade da escola e que participa de todas as atividades realizadas no hospital. "Me lembra um pouco a escola", conta a menina, que prefere as aulas de pintura e de informática.
Além de evitar a defasagem escolar, a participação em atividades educativas e culturais ajuda e muito no processo de recuperação. "A criança tem um olho que brilha e, quando ela está internada, ela não é doente. Ela tem uma parte do corpinho dela que não está 100%, e, ainda assim, ela continua curiosa. Tem criança que está indo para a sala de cirurgia e quer terminar uma pesquisa que começou. É magia pura", orgulha-se Maria. E é o brilho nos olhos das crianças que a educadora considera a melhor reconpensa pelo seu trabalho. "É o brilho quando descobre alguma coisa, quando entende. É a coisa mais linda que pode existir."
O Setor de Educação e Cultura do Hospital Pequeno Príncipe foi criado em 1988 por iniciativa da assistente social Margarida Mugiatti. Ela conta que percebeu a necessidade de atividades educativas com as crianças internadas devido à incompatibilidade do tratamento e da freqüência escolar. Eram prejudicados os estudos e até mesmo a internação do paciente.
Para marcar a data, uma exposição com obras de 20 crianças internadas foi lançada ontem. "Meu coração está cheio de alegria, é muita felicidade", afirma emocionada a idealizadora do projeto. Entre janeiro e outubro, 3,7 mil crianças foram atendidas pelo setor. Quando há a previsão de internamento superior a 15 dias, as educadoras do hospital entram em contato com a escola do paciente para alinhar o conteúdo trabalhando em sala de aula com a atividade realizada no hospital.


