A secretária municipal de Educação, Carmen Baccaro Sposti, irá se reunir amanhã com representantes de escolas da Zona Leste de Londrina para discutir soluções para a falta de vagas na região. Ontem começaram oficialmente as aulas na rede municipal, exceto para os alunos da Zona Rural, que só iniciam o ano letivo em 14 de fevereiro.
Várias escolas que atendem bairros da Zona Leste estão com sua capacidade lotada, mas continuam sendo procuradas por dezenas de pais de alunos da região. Aqueles que não conseguem vaga entram para um cadastro de espera. Para não atrasar os estudos, algumas famílias estão optando por matriculá-los em bairros distantes, mesmo que isso implique em arcar com os custos de transporte.
É o caso do gráfico André Luiz Justino, 33 anos, morador do Conjunto Vicente Palotti. Ele contou que procurou vaga na 1 série para a filha Giovana, 6 anos, em três escolas municipais da região. Sem sucesso, matriculou a menina no Conjunto São Lourenço (Zona Sul), onde morava quatro meses atrás. ''Leva mais de uma hora para chegar de ônibus, mas como a gente já conhecia o lugar, foi a melhor solução que encontramos'', resignou-se.
André é um exemplo do fato citado pela secretaria de Educação para justificar o déficit de vagas: o grande número de novas habitações que vêm sendo ocupadas nos últimos meses na Zona Leste. Só no bairro onde o gráfico mora, foram 342 casas. Nos residenciais Pioneiros e Lindóia, 350 apartamentos estão prontos para ser ocupados. A dona-de-casa Eliane Shirley de Carvalho Miranda, 31, outra moradora do Vicente Palotti, comentou que se sente excluída. ''Tenho uma filha na 6 série e só consegui vaga pra ela num colégio estadual do Centro. Isso porque comecei a procurar em dezembro do ano passado'', alegou.
Duas salas disponíveis na Escola Municipal Francisco Pereira, no Conjunto Guilherme Pires (Zona Leste), podem solucionar parcialmente o problema. A diretora da escola, Sandra Mara Barbosa, disse que as salas poderiam abrigar novas turmas de 1 série onde está concentrada, segundo ela, a maior procura. ''Precisamos confirmar se há alunos suficientes para abrir uma turma (no mínimo 35) e, além disso, será necessária a liberação de professores para dar conta dessa demanda.'' A escola cadastrou 19 alunos que aguardam por uma vaga na 1 série. Ontem, a Folha mostrou que a Escola Miguel Bespalhok, na mesma região, tem 71 nomes na fila de espera.
A secretária de Educação afirmou que a possibilidade de abertura de novas turmas na região será avaliada amanhã. ''Vamos conversar com diretores daquelas escolas para decidir como serão feitos os encaminhamentos dos alunos que estão em espera. Aqueles que moram na Zona Leste e tiveram que se matricular em outras regiões poderão pedir transferência conforme surgirem vagas.''

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