Sem obstáculos, aeroporto ganharia eficiência
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terça-feira, 11 de agosto de 2015
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
O ILS (Instrument Landing System), sistema de aproximação por instrumentos, que fornece orientação precisa de pouso ao avião, não é a única alternativa que ajudaria a reduzir os problemas dos fechamentos por condições meteorológicas adversas no Aeroporto Governador José Richa.
A decolagem sem teto requerido, que proporciona a uma aeronave levantar voo mesmo com o aeroporto fechado, somente com o mínimo de visibilidade para o piloto 600 metros - evitaria ao menos um número grande de aeronaves paradas em solo.
É o que aponta estudo realizado por Paulo Felipe Rodrigues Sousa, de 27 anos, intitulado "Análise de Projeção do ILS para o Aeroporto de Londrina". A pesquisa foi apresentada como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do estudante, que formou-se em Ciências Aeronáuticas, na Unopar, no primeiro semestre deste ano.
Segundo Sousa, o procedimento teria permitido a decolagem de 82,9% das aeronaves que ficaram no solo entre os anos de 2010 a 2014. "Em 2010, por exemplo, em 90,5% dos períodos de fechamento do aeroporto, as naves que ficaram no solo por causa do mau tempo poderiam ter decolado se a situação de obstáculos ao redor da pista fosse diferente", demonstra. "A eficiência é bem alta", continua. Somente em 2010, dos 465 fechamentos, 421 voos poderiam ter partido normalmente se houvesse possibilidade de realizar a decolagem sem teto requerido.
O problema é que para liberar a decolagem sem teto requerido, é necessário que as laterais da pista estejam livres de obstáculos em pelo menos 75 metros de cada lado, chamada zona de proteção. "Em Londrina tem (obstáculos), e isso fere o gabarito da pista. Além do muro tem a taxiway (faixa em um aeródromo em que a aeronave pode rolar [taxiar] de ou para um hangar, terminal ou pista)", cita. "Uma aeronave taxiando é considerado um obstáculo para outra que está em procedimento de pouso", explica Sousa.
Para chegar a esse número, Sousa analisou uma a uma as mensagens meteorológicas emitidas pelo Serviço de Meteorologia Aeronáutica, emitidas no site da Infraero, entre os anos de 2010 e 2014. Em média, uma mensagem sobre as condições do tempo é emitida por hora, o que gera uma demanda em torno de 700 e 850 avisos mensais.
Segundo o autor do estudo, a não realização do procedimento impacta em prejuízos para o aeroporto e também para a cidade. "Aeronaves em condições adversas, que caracterizam fechamento do aeroporto, poderiam decolar sem transtornos aos passageiros, sem perdas para as empresas aéreas, além de deixar o aeroporto mais confiável", defende.
O superintendente da Infraero em Londrina, Marcus Vinícius Rezende Pio, descarta erro de planejamento no projeto de construção e argumenta que o problema será resolvido com as desapropriações do entorno do aeroporto, que visam a sua ampliação. "Daí a necessidade das desapropriações. Quando terminar todo o processo e transferir toda a área para a União, depois que fizer o cercamento, já posso entrar com pedido para realizar a decolagem sem teto requerido. Mas se não tiver a zona de proteção não adianta instalar equipamento nenhum, que ele não entra em operação", frisa Pio. Segundo ele, o muro que faz divisa com a Avenida Salgado Filho está a aproximadamente 70 metros da pista.
O superintendente concorda que o procedimento ajudaria a desafogar o aeroporto em casos de fechamento. "A maioria dos fechamentos acontece de manhã e à tarde. Com este procedimento eu tiraria de 350 a 450 pessoas do aeroporto e melhora a operacionalidade independentemente do ILS, que é a solução final", observa.


