Sem o pesar dos anos
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terça-feira, 27 de março de 2012
Micaela Orikasa <br> Reportagem Local 
Chegar na terceira idade não significa perder a vitalidade. Existem, sim, limitações próprias dos muitos anos vividos, mas perder a vida social e o vigor físico e mental tem se tornado uma questão de escolha hoje em dia.
Em tempos atuais, a longevidade dos brasileiros, que vem aumentando gradativamente e atinge hoje a marca dos 70 anos, vem sendo discutida principalmente no que se refere às maneiras de envelhecer com qualidade de vida. Entre os hábitos que todo mundo está careca em saber há que se considerar que promover a vida social é um dos caminhos.
Um exemplo disso é a dona Cristina Aro, de 92 anos. Há três meses, ela trocou a monotonia por atividades promovidas pelo Centro de Convivência de Idosos Giacomino Pansardi, em Jataizinho (Norte). E a preferida dela é a aula de informática, em que aos poucos e com muita dedicação vai dedilhando o teclado em busca de um novo aprendizado. ''Gosto de ler e escrever. Acho que ajuda a manter a saúde, pois com essas aulas estou distraindo a cabeça'', explica dona Cristina, que ainda se arrisca a dizer que ''lidar com o computador não é nada difícil''.
E não é so dona Cristina que está descobrindo o mundo virtual. Ao todo, o centro atende 43 idosos, entre homens e mulheres, a partir dos 60 anos. Para Lauri de Oliveira Rosa, 65 anos, ''ficar parado é preocupante''. Ele, que era motorista, se aposentou por invalidez após um Acidente Vascular Cerebral (AVC). ''Eu não queria ficar parado e como a internet hoje é tudo na vida das pessoas, resolvi aprender. Nunca tinha mexido em um computador na minha vida'', revela.
A professora Fernanda Mattos explica que o primeiro passo é fazer com que eles se acostumem com o computador para depois dar sequência com a escrita no teclado e coordenação motora com o mouse.
Mas a pressa deixou de fazer parte da rotina desses idosos há um tempo. O que eles não querem na verdad, é parar no tempo. ''Eles também participam das aulas de artesanato, dia da beleza, apresentações de música e teatro, palestras sobre qualidade de vida e contam com atendimento psicoterápico e médico'', explica Rosa Nagao, psicóloga do Centro, criado em 1990 pela parceria entre a Associação de Proteção à Maternidade, Infância e Família (Apmif), Prefeitura Municipal e Associação Comunitária Jataiense, responsáveis por todos os custos.
Transformação
O Centro não funciona como asilo, mas oferece todas as condições para que os idosos passem o dia no local, das 8 às 16 horas. Além das atividades, ele podem tomar banho e fazer três refeições. Segundo a psicóloga, muitos idosos vivem isolados e desamparados. ''Estando em grupo e se mantendo ativos, eles descobrem que o processo de envelhecimento não é necessariamente ruim'', diz.
Quem pode afirmar isso é Maria Julia Stein dos Santos, que aos 66 anos descobriu uma nova vida. ''Eu morava sozinha e era totalmente depressiva. Tinha dias que passava o tempo todo chorando. Depois que retomei minha vida social, tudo mudou'', conta.
Maria aprendeu artesanato e até se casou em fevereiro deste ano. ''Nós dois éramos sozinhos e resolvemos nos casar. Hoje, sou uma nova mulher, com vaidade e muita vontade de viver. Ficar em casa sem fazer nada, nem pensar'', ressalta.
Joel Pereira Guedes, de 75 anos, frequenta o Centro há um mês e já se sente melhor. ''Tô adorando'', conta ele, que não deixa de fazer o que mais gosta. ''Chego aqui e vou varrendo, cuidando do jardim. Desse jeito, faço exercício pro corpo e pra mente'', diz ele, que antes de conhecer os novos amigos admitiu que era completamente sozinho. ''Só eu e Deus'', revela.
Serviço - O Centro está com vagas. Mais informações pelo fone (43) 3259-3855.


