Sem o debate, minorias são beneficiadas
O planejamento urbano pode sofrer interferências de uma série de interesses políticos e econômicos, principalmente de setores do mercado imobiliário. Para equilibrar as forças e garantir vantagens para a maioria da população, a sociedade precisa se unir em defesa das diretrizes definidas no Plano Diretor. A opinião é do arquiteto Nestor Razente, 51 anos, especialista nessa área.
''A aprovação do Plano Diretor implica em renúncia de certas vantagens de alguns agentes em benefício da maioria'', ressalta Razente. Por isso a importância das discussões públicas sobre o planejamento da cidade, que são o caminho para definir o futuro dos cidadãos de Londrina.
Também especialista em planejamento urbano e ex-presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), o arquiteto José Luiz Faraco, 50, considera que a atual direção do órgão está no caminho certo, ao abrir o debate para a comunidade. ''Este é o caminho para o início da consolidação do Plano Diretor. A participação popular é importante. Como também é importante que o MP (Ministério Público) seja mais atuante, como está hoje. É preciso também um arcabouço jurídico para amparar as políticas previstas no plano'', avalia Faraco.
Para eles, o novo Plano Diretor é importante por ter um caráter mais municipal, não mais restrito à zona urbana. Já o planejamento da cidade depende não apenas de mudanças de ruas e avenidas, mas de um conjunto de fatores: sistema viário, transporte coletivo e uso e ocupação do solo. Os arquitetos afirmam que não é mais possível lamentar o desenho das ruas estreitas legadas pelo ingleses na Área Central. O caminho é buscar soluções inovadoras.
Como exemplo, eles citam a já implantada bilhetagem eletrônica e corredores exclusivos para ônibus coletivos. O próprio desenho das ruas e a preservação dos fundos de vale são elementos que têm de ser observados pelos planejadores da cidade: ''Não estou afirmando que estas são as soluções, mas os problemas têm de ser discutidos'', ressalta Razente. O trânsito de Londrina, no entanto, não é considerado um grande problema pelos arquitetos. ''Quando tempo você demora para cruzar a cidade de carro, mesmo em hora de rush? Não é tão demorado'', acrescenta.
O tipo de equipamento social liberado para cada área também tem influência direta na qualidade do trânsito. A construção de uma escola, por exemplo, tem que prever acesso viável para o local. A necessidade de planejamento regional também é apontada como essencial. A integração até Maringá, prevista para o futuro, segundo os arquitetos, poderia até justificar a implantação de um sistema de metrô ou trem de superfície.





