Sem museu, acervo em Tomazina está à venda
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sexta-feira, 15 de dezembro de 2006
Widson Schwartz<BR>Especial para a Folha 
Tomazina - Tomazinense de 1960, portanto décadas após a origem da cidade (1867), Ismael Londowski afirma que sua idéia de um museu histórico na cidade natal foi derrotada, ante o conceito de cultura vigente no poder público municipal, e já está vendendo o acervo que coletou em 30 anos. ''Passado é passado. Joga fora'', resposta que Londowski afirma ter ouvido do prefeito Luiz Farias (PMDB), ao solicitar espaço para centenas de objetos e documentos de Tomazina. O mais antigo, uma ata de 114 anos sobre a reunião, presidida pelo major Thomaz Pereira da Silva, em que foram sorteados ''os senhores jurados que deverão servir no exercício de setembro a dezembro do corrente ano (1892) na Junta Comercial deste distrito''.
O prefeito garante que não é contra. ''Temos a Casa da Cultura que pode ser usada, sem onerar o município.'' Quanto a ''jogar fora o passado'', negou que tenha afirmado. ''Jamais vou deixar de respeitar nossa tradição, seria como desprezar meus antepassados.'' Informado de que Londowski disse lhe ter solicitado a Casa da Cultura, Farias admitiu haver recebido o pedido em 2001, mas ''a situação era delicada'' administrativamente e não podia se comprometer. Alega que, desde então, não foi procurado por Londowski, que passou ''a ser um crítico, vive falando mal de mim''. Apesar disso, afirmou que aceita conversar e põe a Casa à disposição.
Londowski conta que pediu justamente a ''Casa da Cultura porque lá não tem cultura nenhuma, está vazia'', apesar do valor histórico. Foi residência de Avelino Vieira, o fundador do Banco Popular e Agrícola do Norte do Paraná (Banorte), que mandou construí-la em 1935. Documentos do Banorte, ''semente do Bamerindus'', fazem parte do acervo: cadernetas de depósitos, análises da diretoria, dados da economia regional e dividendos aos acionistas entre 1929 e 1938. Neste ano, o Banorte já era ''um esteio da lavoura e comércio desta zona''.
Além da arquitetura, outro aspecto interessante da casa é a divisão, que permite a montagem de biblioteca e a distribuição adequada do acervo, até a composição de ambientes com móveis, explica Londowski, que é pintor e desenhista. Afirma, entretanto, que o prefeito não quis ceder o imóvel, embora tivesse declarado, no primeiro mandato, interesse pela idéia. ''É um grupo fechado que não se deixa convencer. Tentei outra vez, falei, não adiantou.''
Mesmo com a oferta, agora, declara-se irredutível: ''Já vendi objetos, outros estão encaminhados. Desisti do museu''. Para estabelecer preços, tem consultado sites especializados na internet e até um parente do major Thomaz, em Siqueira Campos, já se manifestou.
O museu seria muito importante, pois há ''tomazinenses que não sabem sequer o nome do fundador da cidade'', afirma Londowski, atribuindo o acervo a 30 anos de buscas e compras, às vezes pagando com o próprio trabalho. ''Você tem alguma coisa da qual possa dispor? Então, faço o serviço e você me dá o objeto. Se não tivesse feito isso, ter-se-ia perdido muita coisa. Investi muito.'' Recorda que manteve documentos do Banorte, mesmo quando solicitados por Clóvis Vieira, porque seu sonho era ver o museu do Bamerindus em Tomazina, não em Curitiba.
Fazer o museu não seria simplesmente receber a casa e lá ''amontoar'' os objetos; dependeria também de orientação de órgãos oficiais de Cultura e o Município teria de investir na especialização de uma pessoa, segundo Londowski, que afirma ter apresentado a proposta ao prefeito.''


