''Eu era movida apenas pelo coração''. É assim que Vera Lúcia Tavares de Souza avalia a fase em que não pensava duas vezes antes de jogar tudo para o alto para encarar novos desafios. Ela conta que foi agindo por impulso que fugiu da casa dos pais em Londrina aos 15 anos para ir atrás do namorado que servia o Exército em Curitiba. ''Essa loucura só durou três dias, pois minha família descobriu onde eu estava e foi me buscar'', conta.
Uma gravidez não programada foi responsável pelo casamento precoce com o mesmo namorado aos 17 anos. ''Casei grávida e apaixonada. Mas minha felicidade durou somente até o nascimento do meu segundo filho, pois nessa época comecei a sofrer violência doméstica. Suportei isso durante nove anos, até que resolvi voltar para a casa dos meus pais'', lembra.
No entanto, a separação não trouxe a tranquilidade que Vera esperava. ''Meu ex-marido vivia me ameaçando. Por causa disso acabei me mudando com meus filhos ainda pequenos para Ourinhos, onde uma das minhas irmãs mora'', relata. No interior de São Paulo, Vera diz ter recuperado a autoestima e viveu um novo amor. ''Estava muito feliz e tranquila. Porém meu sonho era voltar para Londrina. Com a morte do meu ex-marido, me senti segura para jogar tudo para o alto e voltar.''
Com os filhos na pré-adolescência, Vera retornou à cidade, mas pagou um preço alto pela mudança. ''Fiquei desempregada por um longo período até conseguir uma vaga como zeladora de escola, função de exerci durante nove anos até ser convidada para trabalhar com um dos meus cunhados, que se elegeu deputado em Cuiabá (MT)'', conta.
Com os filhos já casados e independentes, ela embarcou na nova empreitada que durou seis anos. ''Nesse período fiz faculdade de Ciências Sociais e mais uma vez consegui dar a volta por cima. Porém resolvi encerrar esse ciclo e voltei mais uma vez para Londrina'', conta.
O retorno novamente foi marcado por adversidades. ''Como estava com mais experiência e tinha concluído a faculdade achei que seria fácil encontrar emprego. Porém, fiquei desempregada por quase dois anos. Ninguém me contratava por conta da idade avançada. Na época eu tinha 48 anos'', argumenta.
No entanto, o destino resolveu dar mais uma chance a Vera. ''Eu estava morando com um dos meus filhos em Maringá e uma rede de supermercados acreditou no meu potencial e me contratou. Entrei como fiscal de loja e há três anos fui transferida para Londrina como chefe de segurança. Estou aprendendo a lidar com a razão. Agora quero chegar a gerente na empresa e nunca mais sair mais de perto dos meus filhos e netos.'' (M.R.)

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