O investimento na modernização do Colégio Estadual de Maravilha, distrito rural na Zona Sul de Londrina, até agora foi em vão. Os 16 computadores recém-instalados na instituição de ensino ainda não puderam ser usados pelos professores. O problema é a baixa qualidade das instalações elétricas do imóvel, que também tem deixado os alunos sem luz. Há mais de 20 dias eles estão tendo de improvisar para continuar estudando.
O prédio, que abriga ainda a Escola Municipal Professora Corina Okano, continua sendo usado - só que de forma precária e apenas durante o dia. A falta de estrutura prejudica mais de 200 alunos da pré-escola ao ensino fundamental, mantidos pelo município, que estudam mesmo sem energia elétrica.
A dificuldade não se restringe ao esforço para enxergar o quadro negro. Até os alimentos da merenda precisam ser armazenados num freezer emprestado por uma padaria vizinha. Só que o improviso não pára por aí. Pelo contrário. São os alunos do colégio estadual que mais sofrem com a falta de luz.
As turmas foram divididas, com o intuito de resolver ou, pelo menos, minimizar o problema. As turmas da Educação de Jovens e Adultos, curso mantido em parceria entre o estado e o município, foram deslocadas para o barracão da Igreja Católica do Distrito de Maravilha.
A dificuldade nesse caso não é a distância, mas a situação de improviso total. O galpão é usado para festas da igreja e até velórios. Agora, abriga aulas de duas turmas diferentes no período noturno. Um desses alunos é Luís Barbosa da Silva, 64 anos. Depois de voltar a estudar após 34 anos longe da escola, ele afirma que não desiste do curso porque falta pouco tempo para concluir o curso.
''Agora não compensa mais desistir'', afirma Silva, que terá aulas apenas até o início de maio. Nem mesmo a dificuldade de dividir o mesmo espaço com outra turma é suficiente para desanimá-lo. Já a dona de casa Célia Dalva de Jesus dos Santos, 39, de volta aos bancos escolares depois de 20 anos, comenta que o estudo no salão só é viável porque ambas as turmas são formadas por adultos, todos interessados nas aulas.
Os alunos do Ensino Médio, no entanto, precisam enfrentar cerca de 18 quilômetros para assistir às aulas na Escola Municipal Machado de Assis, no Patrimônio Três Bocas. Pior para estudantes como Lucian Bezerra da Silva, 17, e Ricardo da Silva Batista, 19. Eles trabalham na lavoura e agora precisam chegar mais cedo para tomar ônibus para ir à escola e também chegam mais tarde em casa após as aulas.
''Sempre estudamos aqui e é a primeira vez que tem esse problema'', comentaram os jovens. Eles acrescentaram que a situação dos colegas que moram nas propriedades rurais nas redondezas do distrito é ainda pior. Quando chove forte, o ônibus não chega em determinados pontos e os alunos perdem as aulas.
O prazo para conserto das instalações elétricas, de acordo com o diretor do Colégio Estadual de Maravilha, Aparecido Gomes da Silva, foi determinado em 30 dias pelo Núcleo Regional de Educação (NRE). Ele contou ainda que na segunda-feira algumas carteiras de adultos foram levadas para a escola no Patrimônio Três Bocas. Antes disso, os adolescentes estavam usando cadeiras de crianças para assistir às aulas. Segundo Aparecido Gomes, a solução passa pela ''ampliação e troca do padrão da energia elétrica.''
De acordo com a secretária municipal da Educação, Carmem Baccaro Sposti, não é possível estabelecer prazo para conclusão da obra em Maravilha. Uma vistoria já foi realizada por técnicos do órgão e foi definido que os custos serão bancados pelo Estado. ''A escola tem dualidade administrativa, mas o nosso eletricista já está à disposição para auxiliar nesse trabalho'', garantiu.
A chefe do NRE, Márcia Lopes de Souza, explicou que o projeto de reforma da parte elétrica está em trâmite e a obra deve ser concluída em um mês. ''O importante é que não houve prejuízo para o calendário escolar'', salientou.

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