Dois anos já se passaram desde que a primeira academia ao ar livre foi inaugurada pela administração pública em Londrina. Nesta semana, foram entregues à população a 50 e a 51 academias, localizadas, respectivamente, no Jardim Piza (Zona Sul) e na Vila Industrial (Zona Oeste). Apesar de consideradas um importante investimento para a promoção da saúde, usuários entrevistados pela FOLHA reconhecem que as academias teriam um frequência maior se houvesse uma melhor infraestrutura. Falta de iluminação e de segurança são as principais reivindicações. A reportagem presenciou inclusive um grupo de menores usando drogas em uma das academias.
''Eu costumo vir quatro vezes na semana e sempre acompanhada de uma amiga para fazer as atividades. É claro que a gente fica preocupada. Eu sempre vejo uma molecadinha mexendo com drogas aqui e não vejo um guardinha sequer passando pelo local'', reclama a dona de casa Ivone Monteiro, frequentadora da academia do Conjunto Aquiles Stenghel (Zona Norte). ''O jeito é vir em um horário em que tem maior movimento e disputar os aparelhos com os outros frequentadores, porque vir sozinha é um perigo.''
O aposentado Aristides da Costa Filho acrescenta que, além do ponto ter se transformado em um local para a venda e utilização de drogas, é comum ver vândalos tentando depredar os equipamentos. ''Esses dias eu tive que chamar a atenção de uns garotos que estavam descascando os equipamentos e amassando algumas peças. Se tivesse maior patrulhamento aqui no bairro, esse tipo de coisa não aconteceria'', enfatiza indignado o aposentado, morador do bairro há mais de quatro anos.
Apesar do bom estado dos aparelhos, a reportagem da FOLHA constatou a falta de pelo menos um equipamento da academia. Segundo um usuário que não quis se identificar, teria sido arrancado pelos adolescentes que se reúnem no local durante à noite.
Crack
A ausência da Guarda Municipal na academia ao ar livre do Conjunto Novo Amparo (Zona Norte) é também o que mais atrapalha a frequência, segundo os usuários. Na tarde de segunda-feira, assim que a reportagem se aproximou, um grupo de meninos, aparentemente menores de idade, que estava nos bancos da academia mexendo com as pedras de crack, saíram do local.
Revoltado com a situação, o aposentado italiano Isacco Grande fez questão de falar com a FOLHA. Ele afirmou que nunca viu guardas circulando pelo local. ''É uma iniciativa muito boa sim. A gente não vê academias assim no meu país, mas o que incomoda mesmo é a insegurança. Acho que se passassem mais guardas por aqui, os moradores do bairro ou visitantes ficariam mais tranquilos para vir na academia'', disse o aposentado, que há oito anos se divide, residindo no Brasil e na Itália.
Apesar da aparente limpeza e das boas condições dos aparelhos, o que mais incomoda os frequentadores da academia ao ar livre do Jardim Alvorada (Zona Oeste) e Parque Guanabara (Zona Sul) é também a falta de iluminação, que impossibilita a realização dos exercícios à noite. Na academia do Alvorada, por exemplo, é possível verificar postes de luz tombados, fiações arrancadas e luminárias quebradas. ''Seria importante que assim como trocam os aparelhos quando quebram, dessem mais atenção para a questão da iluminação'', disse o aposentado Francisco Toledo Sousa, morador do bairro há cinco anos.
''A academia está bem conservada. O problema é a escuridão, devido à falta de manutenção das luminárias. A gente sempre ouve as pessoas reclamando que têm medo de vir aqui por isso'', completa o capelão do Hospital Evangélico Lauril Krawczun, morador do Parque Guanabara há 17 anos.
Os aparelhos disponíveis nas academias são alongadores, simuladores de caminhada e cavalgada, esqui, multiexercitador, aparelho de remada sentado, de pressão de pernas, rotação dupla diagonal, vertical e de surf. A administração pretende instalar 75 academias ao ar livre até dezembro deste ano.

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