Ela tem uma sorveteria e desabafa: ''Preciso fechar mais cedo porque todo mundo tem medo de ficar aqui''. Gilma Francisca Flávio, 43 anos, moradora do Jardim Maria Lúcia (Zona Oeste de Londrina) não aguenta mais o mato alto de um terreno particular em frente ao estabelecimento comercial dela. ''Olha só lá. Daqui a pouco vai aparecer gente morta aí no meio. Isso sem falar que quando a gente chega de noite, tem que passar duas ou três vezes em frente de casa antes de entrar''.
O mesmo acontece, do outro lado da cidade, com o cantor Paulo Roberto Averça, 43 anos. ''Saio para louvar nas igrejas e quando volto, de madrugada, fico preocupado de entrar em casa e ter um ladrão no meio daquele matagal'', afirma. Ele mora no Jardim Bella Itália (Zona Leste) e também não sabe o que fazer com um terreno que está sempre com o mato alto. ''Aranha e escorpião, que aparece aos montes, a gente mata. O duro é bandido''.
Averça não sabe quem é o dono do terreno, por isso acredita que a responsabilidade sobre ele é da prefeitura. ''Eu é que não posso ficar descobrindo os donos das datas daqui de perto e ligar pedindo para limpar'', diz. Gilma, ao contrário, fez isto. ''Liguei para o dono, que é de Assaí, mas ele disse que paga para a prefeitura limpar e que então não precisava se preocupar.''
Agora, ela vai precisar ligar novamente para ele e avisar: pagava. Uma lei proposta pelo Executivo municpal e aprovada pela Câmara de Vereadores determinou que, a partir de agora, cada proprietário seja responsável pela limpeza do próprio terreno. ''Antes a gente mandava limpar e mandava a conta para os donos, só que isso gerava um déficit para a gente porque tínhamos dificuldade de receber o serviço deles. Agora vamos só mandar a multa'', explica o diretor de Operações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Fábio Reali.
Ao todo, ele afirma que existam cerca de 20 mil datas particulares que eram atendidas por este serviço da prefeitura. ''A partir desta lei, vamos fiscalizar e, em casos de terreno descuidado, aplicar a penalidade de R$ 0,20 por metro quadrado. Um terreno de 300 metros dará R$ 60,00'', calcula Reali.
Ele assegura que a companhia tem equipe suficiente para percorrer todo o município. Diz que será feita um esquema de rodízio e os terrenos serão fotografados, caso o proprietário não retire o mato após a aplicação da multa, o valor será dobrado. ''Esta fiscalização é possível de ser feita pela nossa equipe e acredito gerará resultados positivos para o município''.
Não é com tanta certeza de sucesso que os contribuintes londrineses ouvidos pela FOLHA analisam a mudança. ''Agora ficou complicado! Se o proprietário não ligava para o terreno quero ver agora. Só se a multa for muito alta. Senão ele nem vai se preocupar'', acredita a comerciante da Zona Oeste. Já Paulo Averça confessa: ''Não sei o que vamos fazer. Não vejo alternativa para resolver o problema rapidamente. Também não sei se a multa dará solução''.

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