''Você aprende que pode suportar tudo, que realmente é forte e que pode ir muito mais longe, mesmo após ter pensando não ser capaz''. O trecho de uma obra do dramaturgo e poeta inglês William Shakespeare foi citado pelo bailarino Fabrízio Catenassi, 41 anos, ao ser questionado sobre o que a dança significa em sua vida.
O bailarino é um dos 15 integrantes que compõem o grupo de dança 'Integrarte: sem limites para dançar', que desde 2004 realiza apresentações conjuntas entre sete bailarinas ditas ''normais'' da Instituição de Ensino Nossa Senhora Auxiliadora (Insa) e oito alunos da Associação de Pais e Amigos de Excepcionais (Apae), de Cambé (Norte).
Com 12 coreografias, embasadas nas obras de Shakespeare, o grupo utiliza as técnicas da dança contemporânea, o esforço e o talento para superar seus limites e individualidades. Exemplo de superação, Fabrizio é o único entre os colegas que não nasceu com nenhum tipo de deficiência. Ele conta que foi um acidente de moto aos 20 anos que provocou a lesão no cérebro e a consequente perda dos movimentos.
''Cheguei a ficar seis dias em coma no hospital. Mas, graças a Deus, sobrevivi e queria que essa segunda chance não fosse em vão. Anos mais tarde me encontrei no mundo da dança e hoje nada me faz mais feliz e realizado'', enfatiza o bailarino.
De acordo com a coordenadora do projeto ''Integração Rodas de Dança'' Daiana Furlaneto Tomás, a ideia de unir o grupo de bailarinos surgiu quando ela ainda dava aulas de Educação Física nas duas instituições. ''Eu percebia que essa integração poderia ser muito benéfica para eles e também para superarmos nossos próprios limites. Como temos visto ao longo dos anos, a evolução dos bailarinos com deficiência tem sido amplamente melhorada pela dança. E conosco não foi diferente'', observa.
''A experiência tem sido muito rica. O desenvolvimento motor é o mais visível'', analisa a coreógrafa, acrescentando que a partir de 2009 o grupo se tornou independente e se mantém com a ajuda de familiares e amigos.
Independência
Daiana conta que uma das bailarinas, antes de entrar no grupo, não tinha independência nem mesmo para realizar a higiene pessoal. ''Hoje, ela faz muitas atividades sozinha, tornou-se bem mais independente'', revela a professora, destacando que o envolvimento com a dança estimula que o bailarino supere suas limitações, aumentando a autoestima e a força de vontade.
''Eu fico muito orgulhosa com a minha superação diária. Hoje, eu ajudo minha mãe a enxugar a louça e ainda cozinhar. Meu arroz fica uma delícia'', brinca Bruna Siviero Abramo, 17 anos, que é cadeirante. ''Até na escola já senti a diferença. Minha caligrafia está muito melhor.''
Equilíbrio
No palco, enquanto a jovem bailarina utilizava os movimentos leves dos braços e a sensibilidade das expressões faciais para envolver o público na profundidade dos temas discutidos pelo poeta inglês sobre as relações humanas, o colega Marcos Palma, 23 anos, aguardava o momento de entrar ao lado da mãe.
''Minha maior superação foi conseguir caminhar com mais equilíbrio. Durante o espetáculo, eu levanto da cadeira de rodas e troco de papel com as bailarinas. E isso é muito legal, porque um pode sentir na pele o que é estar no lugar do outro e a cooperação surge naturalmente'', enfatiza Palma.
Todo os trabalho dos bailarinos será mostrado no espetáculo Integrarte, que será realizado no dia 25 de abril, às 20 horas, no Teatro Marista (Rua Christiano Machado, 240). Os convites, no valor de R$ 10, estão à venda com os alunos do 9 série do colégio.
A meia entrada é válida para estudantes, criança com até 10 anos, idosos, professores e pessoas com deficiência. Toda a renda arrecadada no evento será usada no projeto. O evento é iniciativa do Projeto Integração Rodas da Dança, juntamente com o projeto Cidadania e Ação, do Colégio Marista.
Serviço - Mais informações sobre o espetáculo na secretaria do Colégio Marista, pelo fone (43) 3374-3500. Quem quiser saber mais sobre grupo Integrarte pode ligar para (43) 3325-1573.

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