Sem limites para a criatividade
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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Fernanda Carreira <br> Reportagem Local 
Uma caixinha de madeira, um pouco de tinta, miçangas e o apoio da família. Foi somente com esses ''materiais'' que a estudante Mariana Lopes, 18, criou lindas peças que integraram sua primeira exposição de artesanato. A jovem, portadora de autismo severo, dá um bonito exemplo de vida, quando o assunto é superação das dificuldades impostas pela vida, por meio do trabalho.
Junto com a tia Valéria Germano Lopes, professora de Educação Física, Mariana descobriu seu amor pelo artesanato e hoje produz chinelo personalizados, bandejas de suporte para refeições, porta-jóias, porta-guardanapos e muitos outros objetos para decoração. Todas essas peças fizeram parte da exposição, realizada na semana passada.
A mãe Valkíria Lopes Ferraro, professora do curso de Direito da Universidade Estadual de Londrina (UEL), conta que tudo começou em 2009, após a orientação da terapeuta ocupacional de Mariana. A profissional recomendou que a garota ocupasse seu tempo na realização de diferentes atividades. Mariana, que já frequentava o grupo de socialização do Instituto Comunicar e Crescer, das sessões de fonoaudiologia e das aulas de natação, passou a treinar hipismo e descobriu na personalização de peças para decoração uma forma de extravasar toda a sua criatividade.
''Com o tempo, nós fomos descobrindo que ela tinha muitas aptidões manuais, que conseguia se concentrar por muito tempo na atividade e que isso a fazia muito bem'', comenta a mãe. ''Ela era extremamente hiperativa, tinha crises várias vezes ao dia e precisávamos ficar muito atenots ao comportamento dela o tempo todo. Com a atividade aquela impaciência característica diminuiu muito e vejo que ela tem se desenvolvido a cada dia'', completa Valéria, que acompanha a jovem nas atividades quase todos os dias.
''Tem muita gente que se espanta e pergunta se ela conseguiu aplicar as miçangas nesse chinelo sozinha. E eu digo sim, foi ela. É claro que a gente ajuda quando precisa, mas não faço nada por ela e o resultado é esse trabalho bacana'', orgulha-se a tia. ''Acompanho o caso de outras crianças autistas também e vejo que a evolução de Mariana tem sido muito grande quando comparado a outros jovens.''
''Tenho certeza de que o amor e apoio de toda família realmente fazem a diferença na vida da minha filha'', afirma a mãe, ao mesmo tempo em que a jovem balança a cabeça sorrindo, confirmando o que a mãe diz.
As peças não são comercializadas, segundo Valkíria. A maioria delas Mariana faz para presentar amigos e familiares.


