Sem lenço, sem documento, sem roupa e sem dinheiro
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de julho de 2002
Lucinéia Parra<br> Equipe da Folha 
Maringá - A jovem senhora era acostumada a aproveitar as viagens do marido para fazer programas de amor com clientes desconhecidos, mas naquela noite se deu mal e acabou nua, sem dinheiro, documento e o que é mais grave sem o pagamento pelo prazer proporcionado ao dono do carro importado.
Maringá, noite fria de inverno, a moça, na verdade uma jovem senhora casada há pouco mais de cinco anos, se olha no espelho, arruma os cabelos, dá o último retoque na maquiagem e mais uma vez reforça o batom vermelho sobre os lábios carnudos. Ainda na frente do espelho pensa no que está prestes a fazer e nas consequências dos seus atos, mas mesmo na dúvida e com um pouco de receio, prefere arriscar outra vez e parte para mais uma noite de programas.
Longe de casa, ela faz ponto em uma avenida movimentada da cidade e aguarda ansiosa pelo primeiro ''cliente''. De saia curta - para dizer a verdade curtíssima - blusa decotada e um casaco por cima por causa do frio, lá está ela, de pé na beira da calçada, encarando os motoristas dos carros que reduzem a velocidade.
Naquela noite, a jovem senhora comemora interiormente pela facilidade de encontrar o primeiro cliente. Não fazia nem meia hora que estava no ''ponto'' e eis que pára o primeiro carro. Depois de uma discreta olhada para o motorista, ela debruça sobre a porta de passageiros e em menos de cinco minutos já está dentro do carro, um veículo importado que impressionava pela beleza e luxúria e deixara a personagem desta história ainda mais encantada e satisfeita.
Tudo parecia perfeito até que o cliente, se achando no direito de fazer tudo o que tinha direito e até o que não tinha, usou e abusou da moça. Mas não foi só isso, no final do encontro, depois de satisfazer todos os desejos sexuais do cliente, a pobre coitada foi expulsa do carro e deixada nua em local ermo. Além das roupas e do pagamento pela ''noite de prazer'', ela ficou também sem a bolsa onde estavam documentos e alguns trocados que tinha trazido de casa.
Termos impublicáveis foram usados pela mulher para xingar o tal cliente. Mas de nada adiantou. Indignada e sem entender ainda muito bem o que tinha acontecido, ela liga para a polícia e pede ajuda. Quando chega a viatura, a moça estava gelada de tanto frio e indiferente aos olhares curiosos e perplexos dos policiais ela começa a contar o ocorrido.
Diante das declarações da vítima, os policiais a orientam para registrar a ocorrência na delegacia ao quê a moça imediatamente respondeu:
- Vocês estão loucos? Não posso fazer isso de jeito nenhum porque senão meu marido vai descobrir o que eu faço quando ele viaja.
Sem acreditar no que haviam acabado de ouvir, os policiais ainda insistiram na necessidade de registrar o fato ocorrido. Mas a moça, de apenas 25 anos, foi taxativa:
- Não registro coisa nenhuma porque o corpo é meu e faço o que quiser da minha vida, e quanto ao meu marido, vocês não acham que ele é santo né?, respondeu secamente a mulher.
Ao ouvi-la lamentar dos abusos a que foi submetida e do roubo da bolsa pelo tal cliente, um dos policiais comentou:
- Tá vendo só o que dá exercer a profissão mais antiga do mundo?


