Sem leite materno para os bebês prematuros
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sábado, 13 de fevereiro de 2016
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local 
Vazia. É assim que está a geladeira de armazenamento de leite materno do Banco de Leite Humano do Hospital Universitário (HU). Os últimos frascos de leite cru foram pasteurizados na manhã de ontem e são insuficientes para atender a demanda. O estoque baixo vem desde o começo do ano e se agravou com o feriado prolongado de Carnaval.
A situação preocupa a coordenadora do Banco de Leite Humano, enfermeira Márcia Benevenuto de Oliveira. O banco atende os bebês internados na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) Neonatal, na Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) Neonatal e UTI Pediátrica do HU, além do Hospital Evangélico, Maternidade Municipal, Infantil, Hospital do Coração e a UTI neonatal do hospital de Cornélio Procópio.
Com o estoque zerado, estão sendo priorizados os bebês internados na UTI neonatal do HU, que precisam de um reforço imunológico e que as mães não conseguem produzir leite para amamentá-los. Os demais recebem leite artificial (fórmulas). Para os outros hospitais, o Banco de Leite está pasteurizando o que é coletado nestas unidades.
De acordo com Márcia, no final do ano sempre há uma queda nas doações, principalmente em função das viagens. Isso é uma queixa nacional, no entanto, é a primeira vez que os estoques estão tão baixos. "No feriadão de Carnaval, o banco recebeu apenas uma ligação pedindo para que fossemos buscar leite."
A enfermeira explica que, para ter uma segurança, o estoque deveria ser para até uma semana. Para atender a demanda do HU, são necessários em torno de 4,5 litros por dia. O volume varia conforme o número de bebês internados.
As mães com bebês internados no hospital são estimuladas a retirar o leite para amamentar os filhos e a doar o excedente para as outras crianças. Mas nem todas conseguem, devido ao estresse. A enfermeira explica que a produção de leite é maior nas primeiras semanas após o parto, mas, com o tempo e o estresse de estarem com os bebês na UTI, a produção vai reduzindo até secar o leite. Então, os bebês precisam de doações de outras mães.
SOLIDARIEDADE
Um exemplo de doadora é a estudante Luna Cristal Alonso, de 21 anos, mãe do Benício Vitório, que nasceu com 26 semanas de gestação e está na UTI neonatal. Ela tira leite a cada duas horas para amamentar o menino. Ele costuma tomar 10ml de leite em cada mamada, o que sobra fica para o banco de leite.
"O aleitamento materno é fundamental. O ganho de peso dele é muito em função do leite materno. Vejo a evolução dele", conta Luna. Benício está há 48 dias no hospital. Nasceu com 760 gramas e agora pesa pouco mais de 1,5kg.
Ela conta que o processo de retirada do leite é dolorido e precisa de persistência. "Você tem que lavar a mama, colocar a máscara, estimular a mama para o leite sair, isso é demorado e cansativo. Às vezes, dolorido. É preciso muita persistência. Mas, quando vejo a evolução do meu filho, tudo vale a pena."
Márcia enfatiza que a recuperação dos prematuros que se alimentam com leite materno é muito mais rápida do que os que tomam as fórmulas. Em média, por mês, o banco recebe leite de 250 a 300 mulheres. Há postos de coletas em Cambé, Rolândia, Ibiporã, Cornélio Procópio e, em Londrina, na Maternidade Municipal, Hospital Evangélico e Hospital do Coração. Mas o volume é muito variado. "Há mulheres que doam um frasquinho de 500 ml e outras até 1,5 litros."
Quando o leite cru chega ao hospital, ele passa por um processo de pasteurização que aumenta a vida útil e também a segurança alimentar do produto. O controle microbiológico é rigoroso e só após 48 horas da pasteurização ele está disponível para o consumo. A perda neste processo é mínima, cerca de 0,1% do volume processado por mês é descartado.
No entanto, a perda é maior no leite cru. "Às vezes, a mãe deixou cair um cabelo no frasco de coleta, entrar um inseto ou o leite não foi armazenado corretamente e temos que descartá-lo. Como nossos receptores são prematuros, o leite tem que estar nas melhores condições de higiene sanitária", explica Márcia.
Quem tem interesse em doar leite materno pode ligar para o Banco de Leite. Os profissionais entregam um kit com máscara, touca e frascos para coleta e depois vão à residência recolher a doação. O leite tem validade de 12 horas na geladeira e de 15 dias no freezer.
Para coleta, a lactante deve colocar a máscara e a touca, lavar as mãos e as mamas e descartar as primeiras gotas de leite. É preciso tomar cuidado para não cair cabelo ou qualquer outro resíduo no frasco. "Todos esses cuidados são importantes para que o leite saia em condição de consumo", disse a enfermeira.
SERVIÇO
Banco de Leite Humano
Local: Hospital Universitário: Avenida Robert Koch, 60, na Vila Operária
Horário de funcionamento: de segunda a sexta-feira as 7 às 17 horas e aos sábados das 7 às 12 horas.
Telefone: (43) 3371-2390


