Giovani Ferreira
De Curitiba
A paralisação das obras do Aquífero Karst pode provocar a falta de água no município de Colombo, Região Metropolitana de Curitiba. A advertência é da Sanepar, que considera irresponsável e de consequências gravíssimas o pedido feito por algumas lideranças do município, que entraram na Justiça com pedido de medida liminar solicitando que a companhia de saneamento suspenda os testes no aquífero. A ação civil foi protocolada na última quinta-feira, mesma data em que a Câmara Técnica do Karst também decidiu que a Sanepar deve interromper a exploração até a conclusão do Eia/Rima (estudo de impacto ambiental).
Conforme a ação impetrada pela Associação dos Produtores Agrícolas de Colombo, Sindicato dos Trabalhadores Rurais e Associação Xama, a Sanepar deve suspender a exploração sem que isso cause prejuízo ao abastecimento normal do município. Carlos Teixeira, presidente da Sanepar, disse que ‘‘isso é impossível sem gerar repercussões num universo muito mais amplo’’. Os agricultores estão reclamando a falta de água em suas propriedades, alegando que o trabalho da Sanepar está secando os rios, fontes e açudes da zona rural do município.
Caso o pedido de liminar seja acatado pela Justiça, todos os poços do aquífero terão que ser desligados, deixando de abastecer 120 mil em Colombo. As 40 mil pessoas restantes, que formam a população de 160 mil habitantes, são atendidas pelo sistema integrado de água de Curitiba. Diante dessa realidade, com a paralisação do Karst, a única possibilidade técnica da Sanepar para suprir a demanda de mais 120 mil moradores, seria o racionamento no sistema de Curitiba, provocando irregularidades no abastecimento de aproximadamente 1 milhão de pessoas.
De acordo com Teixeira, ‘‘mesmo que absurdamente seja adotado o racionamento em Curitiba, para enviar água para Colombo, boa parte da populção daquele município não receberá uma gota sequer em suas torneiras’’. Segundo o presidente da Sanepar, não existe tubulação instalada para enviar toda a água necessária. Hoje o município tem uma demanda de 220 litros por segundo. O aquífero responde pelo fornecimento de 160 litros por segundo e o sistema de Curitiba por outros 60 litros por segundo. Em explanação feita durante a reunião da Câmara Técnica, Rosa Maria Saunitti, engenheira da Sanepar, explicou que além do Karst não existe outra alternativa barata e a curto prazo para o abastecimento do município.
Sobre o estudo de impacto ambiental, reivindicação que embasa todas as reclamações dos agricultores, a Sanepar informou que sem a conclusão dos testes, é impossível concluir os estudos. A companhia alega que os poços estão sendo explorados em caráter experimental, uma vez que a definição do Eia/Rima depende de dados e informações técnicas que são obtidas somente com a perfuração dos poços.
Sobre a decisão da Câmara Técnica, a Sanepar distribuiu uma nota oficial informando que reconhece o órgão como de caráter apenas consultivo e não deliberativo.
Chantagem – José Nicácio Strapasson, presidente da Associação de Produtores de Colombo, acredita que a paralisação das obras não deve causar desabastecimento no município. Na avaliação de Strapasson, ‘‘a Sanepar está chantageando, porque não quer investir em outras alternativas de fornecimento de água’’. Nicácio explicou que os agricultores não são contra a exploração do aquífero, assim como não estão contrários à partilha da água. O que os produtores defendem é uma exploração racional do Karst, de forma que não falte água para a irrigação da lavoura.

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